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FÍSICA E QUÍMICA
no âmbito da Cultura Geral



O vidro: história e fabrico

Na base do fabrico do vidro comum está a areia, composta basicamente de dióxido de silício (SiO2).

Misturando 70% de areia com 14% de carbonato de sódio (Na2CO3), 14% de carbonato de cálcio (CaCO3) e 2% de componentes químicos diversos, obtém-se um preparado que ficará liquefeito, ao fim de algumas horas de permanência num forno industrial aquecido a cerca de 1250ºC. Para produzir 1000 Kg de vidro comum são necessários 1300 Kg de areia.

Este preparado, ao sair liquefeito do forno, possui uma aparência viscosa muito idêntica à do mel.

Nas linhas de montagem de fabrico do vidro, essa mistura incandescente escorre em direção a moldes, onde a respetiva dosagem é controlada em conformidade com o tamanho do objeto de vidro a ser criado.

Esse primeiro molde apenas serve para dar o contorno inicial do objeto. Nesta altura do fabrico, o preparado viscoso baixou a sua temperatura para 1200 ºC. O formato de cada um dos moldes primários cria, no seu interior, uma bolha de ar.

Do molde inicial, o objeto a criar segue para um molde final, onde, através de um canudo, uma máquina injeta ar, moldando o líquido até ele ganhar o contorno definitivo, por exemplo, uma garrafa de vidro.

A temperatura do vidro já caiu, entretanto, para uns 600 ºC e o objeto começa a ficar rígido, podendo ser retirado do molde.

Segue-se o resfriamento do objeto que, no caso de uma garrafa, demora cerca de uma hora. E pronto: o objeto está pronto a ser utilizado.

É evidente que, nos tempos antigos, o fabrico de peças de vidro era realizado de um modo mais artesanal, não apresentando a perfeição a que estamos habituados nos nossos dias.

Egípcios e Gregos disputam, entre si, a primazia do fabrico do vidro; no entanto, ele já era anteriormente produzido por outros povos da antiguidade.

Não se sabe há quantos milénios os seres humanos fabricam peças em vidro, uma vez que, na natureza, este óxido metálico transparente se decompõe ao fim de cerca de 4000 anos.

Em Portugal, a indústria vidreira surge, na Marinha Grande, durante o século XVIII. No entanto, em épocas anteriores, o vidro já aqui era fabricado, embora de forma artesanal.

A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande atingiu uma performance de tal maneira auspiciosa que Portugal foi, a seguir à Inglaterra, o primeiro país a fabricar peças em cristal.

No Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, pode ser observada uma valiosa coleção de cristais adquirida naquela fabrica pelo rei D. Luís I e pela sua esposa, a rainha D. Maria Pia.

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A imagem que acompanha este artigo consiste num Serviço Para Água, produzido na Marinha Grande.




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