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Aconteceu a 6 de dezembro de 1185



Morte de D. Afonso Henriques

A 6 de dezembro de 1185, morre, em Coimbra, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

D. Afonso Henriques havia nascido a 25 de julho de 1109.

Era filho de D. Teresa de Leão e do Conde D. Henrique, detentor do governo do Condado Portucalense que fazia parte do Reino de Leão.

Após a morte do seu pai, o governo do condado passa para a sua mãe, D. Teresa, que continua a prestar vassalagem ao Rei de Leão, o que não agrada ao jovem Afonso que pretendia transformar o Condado Portucalense num reino independente.

Arma-se cavaleiro e, em 1128, vence na batalha de São Mamede a sua mãe e os que a apoiavam, nomeadamente o nobre galego Fernão Peres de Trava.

Afastada a sua mãe do poder, D. Afonso Henriques assume a governação, concentrando todos os seus esforços na conquista, para sul, de mais território e no reconhecimento do Condado Portucalense como Reino.

A 26 de julho de 1139, no dia seguinte à batalha de Ourique contra os mouros, D. Afonso Henriques, possuidor já de um território mais vasto, é aclamado, pela primeira vez, Rei de Portugal, pelo que esta data pode ser considerada como a do nascimento do nosso País, pois, para haver um Reino, é necessário existir um Rei.

O primeiro documento onde D. Afonso Henriques aparece com o título de rei é datado de 10 de abril de 1140. Referimo-nos à carta de couto de Santa Maria de Vilarinho, cuja passagem transcrevemos: Ego egregius rex Alphonsus dei vero providentia totius provincie Portugalensium princeps gloriosissimi Yspanie imperatoris nepos consulis domni Henrici et Tarasie regine filius.

Em 1127, o pai de D. Afonso Henriques havia celebrado com o seu primo Afonso VII de Castela e Leão, o Tratado de Tui, pondo fim às hostilidades entre ambos. Após a vitória de Ourique, D. Afonso Henriques rompe com este tratado e invade a Galiza. Afonso VII de Leão e Castela entra em terras portuguesas, em direção a Arcos de Valdevez. As hostes de ambos encontram-se, em 1141, no Vale do Rio Vez, mas, em vez de encetarem um combate tradicional, decidem resolver a contenda através de um torneio que ficará conhecido na História como Torneio de Arcos de Valdevez ou Recontro de Valdevez. sendo o desfecho do mesmo favorável a D. Afonso Henriques.

A 5 de outubro de 1143, Afonso VII, pelo Tratado de Zamora, reconhece oficialmente D. Afonso Henriques como Rei. Note-se, no entanto, que Afonso VII, Rei da Galiza desde 1111, Rei de Leão desde 1126 e Rei de Toledo e Castela desde 1127, havia-se coroado imperador da Toda a Hispânia em 1135, tendo os diversos reis peninsulares ficado a prestar-lhe vassalagem. D. Afonso Henriques, porém, nunca reconheceu o primo como imperador, e este também não invocou tal facto nas relações com Portugal. No entanto, o monarca de Leão e Castela nunca renunciou à sua supremacia e à primazia eclesiástica de Toledo sobre todos os restantes reinos peninsulares, o que é comprovado pelo protesto que endereça ao papa Eugénio III aquando da realização, em 1148, do Concílio de Reims.

Em 1179, o papado, através da bula Manifestis Probatum, reconhece, em definitivo, a independência de Portugal, ficando D. Afonso Henriques e toda a sua descendência obrigada a prestar vassalagem ao Papa, pagando uma contribuição monetária anual. Como ninguém podia ter dois senhores, a independência de Portugal fica assegurada. Porém, como se irá demonstrar em artigos posteriores, a independência nunca foi plena, pois a Igreja sempre se imiscuiu nos assuntos internos do País.

D. Afonso, com o apoio das hostes da segunda cruzada, toma Lisboa aos Mouros em 1147, prosseguindo as conquistas para sul, até ao Alentejo.




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