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Aconteceu a 27 de maio de 1963



Morte do escritor português Aquilino Ribeiro

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A 27 de maio de 1963, morre, em Lisboa, o escritor português Aquilino Gomes Ribeiro.

Biografia

Aquilino Ribeiro nasce em Tabosa do Carregal, Sernancelhe, a 13 de setembro de 1885, fruto do relacionamento do padre Joaquim Francisco Ribeiro com a camponesa Mariana do Rosário Gomes.

Faz, em 1895, o exame da 4.ª classe em Moimenta da Beira, entrando, de seguida, no Colégio de Nossa Senhora da Lapa.

Por iniciativa de sua mãe, que ambicionava fazê-lo sacerdote, frequenta o Seminário de Beja de onde acabaria por ser expulso, em 1904, por incompatibilidade com o padre Manuel Ançã, um dos diretores da instituição.

Em 1906, já a residir em Lisboa, inicia uma colaboração com o jornal republicano A Vanguarda.

No ano seguinte, escreve, em parceria com José Ferreira da Silva, o conto A Filha do Jardineiro, obra onde enaltece o republicanismo, criticando figuras do regime; entra para a Maçonaria através do Grande Oriente Lusitano e é acusado de anarquista.

Evade-se da prisão em 1908, mantendo, em Lisboa, contactos com os regicidas.

Em 1910, vamos encontrá-lo em Paris, estudando na Faculdade de Letras da Sorbonne. A 5 de outubro, é implantada a República em Portugal. Aquilino visita Lisboa mas regressa a Paris, onde se havia enamorado pela alemã Grete Tiedemann, com quem casaria mais tarde, após uma breve passagem pela Alemanha.

De regresso a Paris, nasce, nesta cidade, em 1914, o seu primeiro filho. Nesse mesmo ano escreve Jardim das Tormentas

O despoletar da Primeira Grande Guerra obriga Aquilino e a sua família a mudar-se para Portugal.

Apesar de não ter concluído a licenciatura na Sorbonne, é colocado como professor no Liceu Camões, onde permanecerá três anos.

Em 1918, publica A Via Sinuosa, entrando, no ano seguinte, para a Biblioteca Nacional de Portugal, onde contacta outras distintas personalidades como Jaime Cortesão e Raul Proença.

Entre a sua valiosa produção textual publicada a partir desta data, recomendamos, como essencial, a leitura de Terras do Demo (1919), A Casa Grande de Ramarigães (1957) e O Romance da Raposa (1959).

Para além de ter integrado a direção da revista Seara Nova, deu o seu contributo literário a outras publicações.

Após a sua primeira esposa ter falecido, consorcia-se, em 1929, na cidade de Paris com Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado. O filho de ambos, Aquilino Ribeiro Machado, viria a ser o 60.º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, de 1977 a 1979.

Apesar de Aquilino ser considerado persona non grata pelos governantes do Estado Novo, é proposto, em 1960, por inúmeras personalidades portuguesas, para o Prémio Nobel da Literatura.

Quando morre, a 27 de maio de 1963, a censura então vigente proíbe os jornais de publicar notícias sobre as inúmeras homenagens que lhe estavam a ser prestadas.

A 14 de Abril de 1982, é agraciado, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.

Em 2007, a Assembleia da República Portuguesa decide, por unanimidade, homenagear a sua memória, concedendo aos seus restos mortais as honras de Panteão Nacional. A cerimónia de trasladação do Cemitério dos Prazeres para este novo local viria a ocorrer a 19 de setembro desse mesmo ano.

Nos dias atuais, a maior homenagem que cada um de nós pode fazer-lhe é continuar a ler a sua vasta obra pautada por uma linguagem com excecional riqueza lexicológica, deixando-nos transportar para o seu mundo literário onde imperam inúmeras construções frásicas de raiz popular, repletas de regionalismos, fruto da sua intensa vivência.

Obras

Romances

• A via sinuosa, 1918
• Terras do demo, 1919
• Filhas da Babilónia, 1920
• Andam faunos pelos bosques, 1926
• O homem que matou o diabo, 1930
• A batalha sem fim, 1932
• As três mulheres de Sansão, 1932
• Maria Benigna, 1933
• Aventura maravilhosa de D. Sebastião Rei de Portugal depois da batalha com o Miramolim, 1936
• São Bonaboião: anacoreta e mártir, 1937
• Mónica, 1939
• O servo de Deus e a casa roubada, 1941
• Volfrâmio, 1943
• Lápides partidas, 1945
• Caminhos errados, 1947
• O arcanjo negro, 1947
• Humildade gloriosa, 1954
• A Casa Grande de Romarigães, 1957
• Quando os lobos uivam, 1958
• A mina de diamantes, 1958
• O Malhadinhas, 1958
• Arcas encoiradas, 1962
• Casa do escorpião, 1963

Biografia

• Luís de Camões: fabuloso e verdadeiro (2 volumes), 1950
• O romance de Camilo (3 volumes), 1956

Contos

• A filha do jardineiro, 1907
• Jardim das tormentas, 1913
• Valeroso milagre, 1919
• Estrada de Santiago, 1922
• Sonhos de uma noite de Natal, 1934
• Quando ao gavião cai a pena, 1935

Literatura infanto-juvenil

• Romance da raposa, 1924
• Arca de Noé I, 1936
• Arca de Noé II, 1936
• Arca de Noé III, 1936
• O livro do menino Deus, 1945
• Fernão Mendes Pinto:aventuras extraordinárias de um português no Oriente, 1952
• O livro de Marianinha: lengalengas e toadilhas em prosa rimada (Edição póstuma), 1967

Memórias

• Alemanha Ensanguentada, 1935
• É a guerra: diário, 1934
• Cinco réis de gente, 1948
• Um escritor confessa-se (Edição póstuma), 1974

História

• Os avós dos nossos avós, 1943
• Príncipes de Portugal: suas grandezas e misérias, 1952

Tradução

• A retirada dos dez mil, de Xenofonte (tradução e prefácio)
• D. Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes Saavedra
• O príncipe perfeito, de Xenofonte (tradução e prefácio)
• O Santo (1907) de Antonio Fogazzaro




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