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Aconteceu a 23 de fevereiro de 1987



Morte do cantor e compositor português Zeca Afonso

A 23 de fevereiro de 1987, morre, em Setúbal, o cantor e compositor português José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido pelo seu diminutivo familiar; Zeca Afonso.

Breve resumo sobre a sua vida e obra

José Manuel havia nascido em Aveiro, a 2 de agosto de 1929. Oriundo de uma família burguesa, vive nesta cidade os seus três primeiros anos de vida, altura em que o seu pai o leva para Angola por ali ter sido colocado como delegado do República, o que lhe permite adquirir uma profunda ligação ao continente africano.

Aqui permanece até 1937, altura em que vai viver para a então Lourenço Marques, após uma curta passagem por Aveiro.

Em 1938, volta a Portugal, ficando a viver em Belmonte, na casa do seu tio Filomeno que desempenhava o cargo de Presidente da Câmara. É nesta localidade que termina a instrução primária e se vê obrigado, segundo as suas próprias palavras, a vestir o traje da Mocidade Portuguesa.

No ano seguinte, os seus pais vão viver para Timor, tendo Zeca Afonso sofrido, durante três anos, com a falta de notícias dos seus progenitores, cativos pelo exército Japonês que havia ocupado aquela ilha.

Frequenta o Liceu Nacional D. João III e, de seguida, a Faculdade de Letras de Coimbra, onde integra o Orfeão Académico e a Tuna Académica, começando a revelar ter boas qualidades no campo da música e ser um dotado intérprete da canção de Coimbra.

O ambiente universitário desta cidade académica, com inúmeros opositores ao Estado Novo de Salazar, haveria de condicionar a sua vida futura, transformando-o num cantor de intervenção.

Pautado por grande simplicidade, casa-se, com a oposição dos pais, com Maria Amália, uma humilde costureira, continuando a sua vida académica que o leva novamente a Angola e a Moçambique, integrando o Orfeão e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra.

Cumpre, entre 1953 3 1955, o serviço militar obrigatório em Mafra e em Coimbra, altura em que grava o seu primeiro disco, Fados de Coimbra.

Inicia, pouco depois, uma carreira como professor de Francês e História em diversas escolas portuguesas.

Em 1956, divorcia-se de Maria Amália. Haveria de casar-se, em segundas núpcias, nos anos sessenta, com Zélia, natural da Fuzeta.

Em 1963, termina a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com uma tese intitulada Implicações substancialistas na filosofia sartriana.

Nesse mesmo ano, são editados os primeiros temas de carácter vincadamente político, Os Vampiros e Menino do Bairro Negro. Integrando o disco Baladas de Coimbra, estas canções viriam a tornar-se símbolos de resistência anti-Salazarista.

De 1962 a 1968, grava 49 temas com o seu amigo guitarrista Rui Pato, iniciando uma extensa série de espetáculos por todo o País, utilizando sempre as suas canções como uma arma contra a ditadura de Salazar.

A sua canção Grândola, Vila Morena, viria a ser escolhida para senha do Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974.