A 16 de fevereiro de 1957, a rainha Elizabeth II (conhecida em todos os países de língua portuguesa por Isabel II, com exceção do Brasil que mantém o seu nome em inglês), desembarca no aeródromo militar do Montijo, transformado, por um dia, num aeroporto internacional.
A soberana britânica tem à sua espera o marido, Duque de Edimburgo, que se encontrava há quatro meses ausente, em viagem oficial a bordo do Britannia.
Este navio havia partido na véspera de Gibraltar, estando agora ancorado na baía de Setúbal, para onde a rainha e o marido se dirigem.
Estava previsto que a soberana viria a terra, pelo que a população de Setúbal não arredava pé do cais, embora toda a cidade estivesse a ser fustigada por violento temporal.
No Diário de Lisboa desse dia é dito que «o céu, de cor de chumbo», se desfazia em água.
«Às 12 e 35, a Rainha, envergando um casaco branco com mala escura e um pequeno chapéu também branco com ornamentos azuis, cor do seu vestido, segurando com a mão o chapéu devido ao vento, desce a escada de portaló […] Segue-a o duque de Edimburgo.»
Uma vedeta traz o casal real e acompanhantes até à Doca do Comércio, sendo muito aplaudidos pela população e por inúmeros ingleses residentes em Portugal que desejavam ver a sua rainha de perto.
Um Rolls-Royce esperava o casal para efetuarem uma volta pelos arredores.
No regresso, o tempo melhora e o sol brilha, parecendo dar as boas-vindas à soberana do mais antigo aliado de Portugal.
E assim termina, há 64 anos, o primeiro dia de Isabel II em terras lusas.
Dentro de dois dias, o navio seguiria para Lisboa, onde o casal real iniciaria uma visita de Estado a Portugal.
Fonte: Diário de Lisboa n.º 12285, de 17-02-1957, 36º ano de publicação, pp. 1, 8 e 9

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