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Efemérides do dia 7 de janeiro



Morte de Inês de Castro

Pedro e Inês viveram uma das mais belas e trágicas histórias de amor em Portugal.

Pedro era filho do rei Afonso IV. Como sucedia com a maioria dos príncipes herdeiros, a sua esposa não era escolhida pelo próprio mas sim pelos conselheiros do monarca, de acordo com os interesses do Reino. Para esposa de Dom Pedro é escolhida D. Constança, pertencente à nobreza de Castela.

Quando D. Constança acompanhada das suas aias chega a Portugal, uma dama se destaca entre todas elas pela sua beleza: a galega Inês de Castro. D. Pedro imediatamente se apaixona, esperando secretamente que fosse ela a sua futura mulher. Infelizmente, tal não sucede e Dom Pedro tem de casar com D. Constança por quem não nutria especial afeição.

Inês também se apaixona por Dom Pedro mal o vê e, a partir daquele momento, um grande amor surge entre ambos. D. Pedro nunca a vê como amante mas sim como sua verdadeira esposa. Encontram-se às escondidas nas margens do rio Mondego e ficam largas horas juntos, escorrendo lágrimas pelos olhos de ambos já que aquele amor é proibido e mal visto por todo o Reino.

Quando Dona Constança morre de parto, o herdeiro da Coroa pretende consolidar o seu romance, casando-se com Inês, de quem, entretanto, já tivera, segundo a tradição, quatro filhos.

A influência que os irmãos de Dona Inês de Castro pareciam ter sobre Pedro e o perigo dos descendentes bastardos do casal tomarem o lugar do herdeiro legítimo, filho de Dom Pedro e da falecida Dona Constança, começa a assustar o Rei.

Para por cobro a este dilema, D. Afonso IV manda executar Inês de Castro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, a 7 de janeiro de 1355, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pero Coelho. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a «linda Inês» se encontra «posta em sossego» e matam-na.

Camões imortaliza, n'Os Lusíadas, os amores de Inês e D. Pedro, na estrofe CXX do Canto III:

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
de teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos de Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

A 18 de Junho de 1360, D. Pedro faz a declaração solene de que casara com D. Inês, num dia de 1354, para legitimar os filhos que tiveram em comum.

D. Pedro e D. Inês repousam hoje em dois túmulos colocados frente a frente no Mosteiro de Alcobaça, aguardando que, no dia do Juízo Final, possam retomar este grande amor.

Morte de Mário Soares
Nasceu a 7 de dezembro de 1924

A 7 de janeiro de 2017, o político português Mário Soares morre, com 92 anos de idade, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

As ações políticas que encetou contra o Estado Novo desde os tempos de estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tiveram como consequência ter sido preso 13 vezes pela PIDE (polícia política) e ainda ter sofrido, em 1968, uma deportação para São Tomé.

Tendo concluído, em 1951, a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas iniciou, na mesma Universidade, o Curso de Direito, tendo-o concluído em 1957.

Como advogado, defendeu, em tribunais plenários, inúmeros opositores ao regime.

Devido às constantes perseguições que a polícia política lhe fazia, viu-se obrigado, em 1971, a refugiar-se em Paris.

Foi um dos fundadores, em 1973, do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral.

Regressou a Lisboa em 1974, logo após o derrube do regime, tendo sido chamado a desempenhar as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no âmbito das quais desenvolveu negociações conducentes à independência das colónias portuguesas.

Opôs-se à tentativa de um sector de militares sublevados que pretendiam conduzir progressivamente o país para um regime de extrema-esquerda.

Demitiu-se do cargo em Março de 1975, passando a ocupar um ministério sem pasta.

Volvidos dois meses, demitiu-se, igualmente, deste cargo.

Foi primeiro-ministro de 1976 a 1978 e de 1983 à 1985.

Negociou, de 1977 a 1985, com pleno sucesso, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia (atual União Europeia).

Foi presidente da República dois mandatos sucessivos, de 1986 a 1996, tendo iniciado as chamadas presidências abertas, durante as quais percorreu muitas regiões do país, auscultando diretamente as aspirações e as reclamações populares, dando assim início a uma nova postura presidencial.

Desempenhou, posteriormente, as funções de eurodeputado no Parlamento Europeu.

Nos últimos anos da sua vida, dedicou-se à escrita, à coordenação da Fundação a que deu o seu nome e à intervenção em inúmeros congressos e debates.

Faleceu a 7 de janeiro de 2017, com 92 anos de idade, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Para uma mais completa informação sobre a sua vida e obra, consulte o site da Fundação Mário Soares, clicando na figura a seguir inserida.