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Efemérides do dia 6 de janeiro



Falecimento de Louis Braille
Nasceu a 4 de Janeiro de 1809

A 6 de janeiro de 1852, morre, vitimado pela tuberculose, Louis Braille, criador do sistema de leitura para invisuais.

Quando Braille tiha três anos de idade, estava a brincar na oficina do pai e, sem querer, furou uma das vistas com uma das ferramentas, sofrendo uma infeção que se propagou ao outro olho, ficando completamente cego.

Por essa altura, o único sistema que permitia aos invisuais ler consistia em arrastar o dedo ao longo de letras em relevo, o que era dolorosamente lento.

Em 1821, Louis teve conhecimento de um sistema de escrita noturna desenvolvido por Charles Barbier para militares, usando pontos em relevo. Esse sistema foi considerado muito complexo para os militares mas muito útil para os cegos. Era, no entanto, muito complexo porque usava uma matriz de 6x6 pontos para representar letras e fonemas, não permitindo ao invisual sinti-la de uma só vez com a ponta do dedo, sendo necessário movê-lo.

Braille começou a procurar uma maneira de simplificar este sistema. Em 1825, prestes a fazer dezesseis anos, inventou um código original que consistia em seis pontos dispostos em duas fileiras paralelas, representando cada conjunto de linhas uma letra, o que era mais simples do que o sistema de Barbier, e ainda mais versátil, permitindo até 64 variações, o suficiente para todas as letras do alfabeto e pontuação.

Braille passou a ensinar a alunos invisuais o seu método mas só após a sua morte obteve uma plena consagração.

Até final do século XIX, o braille foi adotado em quase todo o mundo, com exceção dos EUA, que só o fez em 1916.

Álvaro Cunhal publica no jornal "O Diabo" o artigo "Aviso Prévio" sobre a guerra

A 6 de janeiro de 1940, Álvaro Cunhal publica, no jornal "O Diabo" nº. 276, o artigo "Aviso prévio", a propósito do conflito bélico que assolava o mundo de então e que ficaria conhecido historicamente por Segunda Grande Guerra (1939-1945).

Para apreciação, transcreve-se a seguinte passagem:

«Unidade de movimentos não significa identidade de objetivos. Mal foi terem-se alimentado ilusões. Homens que se encontram e resolvem caminhar juntos não se tornam, por esse facto, irmãos gémeos. Pela mesma razão por que aglomerados aliados numa etapa dum movimento transformador se não fundem num só aglomerado. Muitas vezes marcham a par camadas da população, cujos interesses coincidem num movimento, mas que os destinos históricos virão a separar (...)»

Profunda remodelação do ensino em Portugal

A 6 de janeiro de 1971, o Ministro da Educação, em discurso televisionado e radiofónico, anuncia as bases de dois importantes documentos que irá propor à discussão pública: cada português passará a frequentar obrigatoriamente a escola até aos 14 anos e, no caso de ter mais de 25 anos de idade, poderá ingressar nas universidades se demonstrar suficiente maturidade.

Fonte: Diário de Lisboa n.º 17257, de 07-01-1971, 50º ano de publicação, pp. 1 e 3

A implementação desta medida iria ter grande impacto na sociedade portuguesa da época.

Atualmente, através do Decreto-Lei 64/2006, de 21 de Março, os maiores de 23 anos, independentemente das habilitações académicas de que são titulares, podem candidatar-se à frequência do ensino superior mediante a prestação de provas de competência.

Nem as vicissitudes da história alguma vez abalaram a nossa vocação ecuménica

A 6 de janeiro de 1977, o corpo diplomático acreditado em Lisboa apresentou, no Palácio da Ajuda, cumprimentos de Ano Novo ao Presidente da República, general Ramalho Eanes.

O Núncio Apostólico, decano do corpo diplomático, saudou o Presidente, apresentando votos de que «no novo ano, o povo português, tão nobre e tão seguro dos princípios que lhe moldam a consciência, se sinta cada vez mais capaz de corresponder à sua vocação e ao seu destino».

Em resposta, Ramalho Eanes disse que «nós, os portugueses, enfrentamos o ano de 1977 conscientes das dificuldades que nos esperam […] Somos uma pátria de entre as mais antigas da Europa e nunca a nossa projeção no Mundo que ajudámos a conhecer e a construir afetou a essência do que nos define como povo, nem as vicissitudes da história alguma vez abalaram a nossa vocação ecuménica».

Fonte: Diário Popular n.º 12126, de 06-01-1977, 35º ano de publicação, pp. 1 e 24

Nascimento do ator brasileiro Rodrigo Simas

A 6 de janeiro de 1992, nasce, no Rio de Janeiro, o ator Rodrigo Simas.

Durante nove anos, vive em Los Angeles, nos Estados Unidos, em virtude da sua família se ter mudado para essa cidade.

De volta ao Brasil, entra, em 2007, com apenas 15 anos de idade, na peça Grease, tendo participado, igualmente, em espetáculos como Mamma Mia e Os Melhores anos de nossas vidas.

Em 2009, interpreta Pedro Bala, na peça Capitães de Areia, adaptação da obra homónima de Jorge Amado. Nesse mesmo ano, estreia-se na televisão, interpretando o personagem Júnior na novela Poder Paralelo.

Em 2010, de volta aos Estados Unidos, faz testes para produções americanas, como Crepúsculo e The Last Song, antecipando uma possível carreira internacional, uma vez que domina na perfeição a língua inglesa.

De volta ao Brasil, transfere-se, em 2011, para a Rede Globo, onde intervém, entre outras, nas novelas Fina Estampa, Malhação, Além do Horizonte, Boogie Oogie e Novo Mundo, para além de ter participado na nona edição do Dança dos Famosos, na peça de teatro Dois perdidos numa noite suja e na Websérie Totalmente Sem Noção Demais.

Falecimento da escritora portuguesa Ilse Losa
Nasceu a 20 de Março de 1913

A 6 de Janeiro de 2006, morre, no Porto, Ilse Losa, escritora portuguesa de origem alemã.

Nascida em Hanôver, de ascendência judia, veio para Portugal em 1934, fugindo à perseguição nazi.

É conhecida principalmente pelos seus livros para crianças e pelo seu livro sobre as memórias das perseguições aos judeus com o título O Mundo em que vivi (1943).

Recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Livros para Crianças atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Escreveu regularmente desde 1949, sendo o seu livro Um Fidalgo de Pernas Curtas muito conhecido, bem como Contos de Eva Luna.

Divulgou autores portugueses na Alemanha e trabalhou, também, para a televisão criando séries infantis.

Texto de Luísa Viana Paiva Boleo

Mais informação: Público n.º 5764, de 07-01-2006, Edição de Lisboa, Ano VI, p. 40

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