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Acontecimentos do ano 1985


 1985

7 de fevereiro

Morte do romancista português Nuno Bragança      Nasceu a 12 de fevereiro de 1929

A 7 de fevereiro de 1985, morre, em Lisboa, o romancista português Nuno Manuel Maria Caupers de Bragança. Era licenciado em direito, tendo pertencido ao grupo de católicos que se opunham ao regime do Estado Novo e que colaboraram em O Tempo e o Modo, revista fundada em 29 de Janeiro de 1963, cujo primeiro diretor foi António Alçada Baptista. As suas convicções políticas obrigam-no a um exílio forçado na Argélia e, posteriormente, em diversos países da Europa. Foi colaborador das publicações literárias Seara Nova e Vértice e esteve ligado ao cinema como crítico de filmes e guionista. São dele os diálogos do filme português Verdes Anos, realizado em 1963 por Paulo Rocha. Foi autor dos romances A Noite e o Riso (1969), Direta (1979), Square Tolstoi (1981), Estação - Contos (1984) e Do Fim do Mundo (1990). Escreveu, também, a peça de teatro A Morte da Perdiz, até hoje ainda não publicada.

Fonte: Diário de Lisboa nº 21680, de 08-02-1985, 64º ano de publicação, pp. 1 e 20

10 de fevereiro

Mandela recusa liberdade sem ANC ser legalizado

Pressionado pela comunidade internacional, o governo sul-africano propõe a libertação condicionada de Nelson Mandela, dirigente do ANC1, que se encontra na cadeia há 21 anos. A 10 de fevereiro de 1985, em mensagem lida na cidade do Soweto pela sua filha, Nelson Mandela rejeita formalmente a sua libertação condicionada sem o ANC ser legalizado, alegando que «embora preze muito a sua liberdade, preza ainda mais a liberdade do povo sul-africano».

Fonte: Diário de Lisboa n.º 21682, de 11-02-1985, 84,º ano de publicação, pp. 1 e 10

1 O African National Congress (ANC), em português Congresso Nacional Africano (CNA) é o partido político que tem vindo a ser eleito para governar a África do Sul desde as primeiras eleições multirraciais realizadas em 1994. Há muitos anos que vinha a lutar contra o Apartheid naquele país, regime segundo o qual os brancos detinham o poder, obrigando os restantes povos a viver separados, sem verdadeiros direitos de cidadania. Com a abolição do Apartheid em 1990, levada a cabo pelo presidente Frederik de Klerk, abrir-se-ia o caminho para as eleições de 1994, abrangendo toda a população daquele país.

14 de fevereiro

Samora Machel recebe Eusébio no Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo

O presidente de Moçambique convida o futebolista Eusébio e quatro jornalistas portugueses a visitá-lo no Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo. Da conversa havida, publicada no Diário de Lisboa de 14 de fevereiro de 1985, destacamos algumas frases ditas, com frontalidade, por Samora Machel: «Preto entrava pelo quintal e dormia no chão, o cão tinha cama e cobertor» (a propósito dos criados que trabalhavam nas casas dos colonos) e «Fomos um povo escravizado; hoje cultivamos a amizade. Matem tudo, menos a liberdade; morrem as pessoas, mas a liberdade continua viva» (a propósito de haver «quem se sinta desanimado com a independência de Moçambique»). Dirigindo-se a Eusébio, disse ter conhecimento que havia quem o aconselhasse a não voltar a Moçambique, porque seria preso. Puro engano, ele seria sempre muito bem recebido. E como prova de que as suas palavras não eram vãs, oferece ao «grande futebolista» uma casa para ele e sua família passarem férias na praia do Bilene, um dos melhores destinos turísticos de Moçambique.

Fonte: Diário de Lisboa nº 21685, de 14-02-1985, 54º ano de publicação, pp. 7 e 11