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Acontecimentos do ano 1961


1961

1 de janeiro

Fidel de Castro anuncia que se prepara para fazer frente à ameaça de invasão de Cuba

Receando uma «invasão iminente> por parte dos Estados Unidos, Fidel de Castro inaugura o novo ano anunciando que, até ao dia 18, «milhares de milicianos» seriam mobilizados para ocuparem posições estratégicas em todo o país.

Fonte: Diário de Lisboa 13669, de 02/01/1961, 40.º ano de publicação, pp. 1 e 11

A invasão acabaria por acontecer na noite de 17 de Abril, levada a cabo por tropas de exilados cubanos.

1 de janeiro

Inauguração oficial de um novo bairro para pessoas carenciadas na Figueira da Foz

A 1 de Janeiro de 1961, é inaugurado oficialmente, na Figueira da Foz, o Bairro Padre Américo, destinado a 20 famílas carenciadas. Construído a Norte da Rua Dr. Cordeiro Ramos, em terreno oferecido pela Câmara Municipal, foi uma iniciativa do semanário local A Voz da Figueira, que abriu uma subscrição para a qual contribuiram muitos figueirenses.

Fonte: Diário de Lisboa 13669, de 02/01/1961, 40.º ano de publicação, p. 3

2 de janeiro

Marisol, apresenta, em Lisboa, o seu primeiro filme: Um Raio de Luz

No dia 2 de janeiro de 1961, o Diário de Lisboa anuncia que Marisol, Grande Prémio de Interpretação do Cinema Infantil de Veneza, estará presente na sessão da noite do cinema Roma, a fim de saudar o público lisboeta que for assistir à projecção de Um Raio de Luz, filme em que interpreta o papel principal.

Fonte: Diário de Lisboa 13669, de 02/01/1961, p. 5

Marisol (Pepa Flores) nasceu em Málaga, Andaluzia, a 4 de Fevereiro de 1948, tendo participado em vinte filmes, uma mini-série e diversos espectáculos de TV. Os treze filmes que protagonizou na década de sessenta constituíram uma importante referência no panorama cinematográfico da época.

24 de janeiro

O navio Estremadura entra ao serviço da carreira Lisboa-Barreiro

A 24 de janeiro de 1961, entra ao serviço da carreira fluvial entre Lisboa e o Barreiro, o navio Estremadura. Com uma lotação de 1022 passageiros, pode fazer a travessia em 25 minutos, tempo inferior em 10 minutos ao praticado pelas outras embarcações.

Fonte: Diário de Lisboa nº 13691, de 24-01-1961, p. 3

Em 1961, para além do Estremadura, entra igualmente ao serviço da carreira Lisboa – Barreiro o navio Alentejo. Fazem parte de um total de 6 unidades idênticas construídas pelos Estaleiros de Viana do Castelo. Os restantes navios seriam entregues em 1968 (Trás-os-Montes e Minho) e 1970 (Alentejo e Lagos). Manter-se-iam ao serviço até 2004, altura em que seriam substituídos por catamarans capazes de fazer o mesmo percurso em 10 minutos.

4 de fevereiro

Início da luta armada contra a administração colonial portuguesa

A 4 de fevereiro de 1961, a comunicação social portuguesa recebe, através do Secretariado Nacional de Informação, um comunicado oficial do Governo-Geral de Angola, informando que, na noite anterior, «três grupos de indivíduos armados pretenderam assaltar a Casa de Reclusão Militar da Polícia de Segurança Pública e as Cadeias Civis de Luanda». O Diário de Lisboa, assim como outros jornais, publica esta notícia na primeira página. Ao lê-la, os portugueses estariam muito longe de imaginar que essa revolta, levada a cabo por elementos do Movimento Popular de Libertação de Angola, marcaria, historicamente, o início da luta armada contra a administração colonial portuguesa ao longo de 13 anos, envolvendo movimentos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné.

Fonte: Diário de Lisboa nº 13702, de 04-02-1961, 4o.º ano de publicação, p. 1

19 de fevereiro

O dia em que surge o primeiro supermercado em Lisboa

Os lisboetas estavam habituados, havia já muitas gerações, a dirigirem-se ao balcão das mercearias e pedir ao empregado os géneros alimentícios que pretendiam adquirir.

Porém, a 19 de fevereiro de 1961, surge uma revolução neste costume: é inaugurado, no número 46-A da avenida de Roma, em plena cidade nova, um estabelecimento comercial bem diferente: os clientes levantam, à entrada, um cesto metálico (sim, metálico, ainda não eram em plástico) e percorrem corredores ladeados por prateleiras repletas dos mais diversos produtos alimentares, escolhendo aqueles que pretendem comprar. E, espanto dos espantos: géneros alimentícios como o arroz, a farinha ou o bacalhau já se encontram envolvidos em sacos de plástico, com a indicação da pesagem e do preço. Uma reportagem do Diário de Lisboa desse dia refere que «basta estender a mão, colocar o produto no cesto e avançar». No entanto, algumas donas de casas exigem que o empregado da loja as acompanhe, carregando o cesto e «alguns homens receiam percorrer o estabelecimento com um cesto metálico», problemas que, na profética opinião do jornalista, «o tempo e o hábito resolverão».

Fonte: Diário de Lisboa 13716, de 19/02/1961, 40.º ano de publicação, p. 6