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Acontecimentos do ano 1959


 1959

10 de fevereiro

Nascimento do futebolista português Fernando Chalana

A 10 de fevereiro de 1959, nasce, no Barreiro, o futebolista português Fernando Chalana.



18 de fevereiro

Morte do almirante português Gago Coutinho      Nasceu a 17 de fevereiro de 1869

A 18 de fevereiro de 1959, faleceu, em Lisboa, Carlos Viegas Gago Coutinho, almirante português que, em 1921, realizou, com Sacadura Cabral, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

11 de março

Tentativa de revolta contra o regime de Salazar

Na madrugada de 11 para 12 de março de 1959, estava prevista uma revolta contra o regime de Salazar. Ficou conhecida por A Revolta da Sé, porque a Sé Patriarcal de Lisboa foi um dos locais de reunião dos conspiradores, com a concordância do pároco, padre João Perestrelo de Vasconcelos. A revolta acabaria por abortar. Entre os implicados estariam o major Pastor Fernandes e os capitães Vasco Gonçalves, Carlos Vilhena e Almeida Santos. A PIDE, polícia política do Estado Novo, acabaria por prender os implicados, repartindo-os pelas prisões de Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas.

Fonte: Arquivo da PIDE/DGS no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, processo. 368/59: «Tentativa de golpe de Estado».

12 de março

Deve ou não prolongar-se a Avenida da Liberdade?

No início de 1964, a Câmara Municipal de Lisboa apresenta publicamente uma maqueta prevendo o prolongamento da Avenida da Liberdade através do Parque Eduardo VII. Na altura, a ideia não constituía uma novidade, pois há muitos anos que se debatia a ideia de criar em Lisboa uma grande avenida, idêntica às existentes nas grandes capitais europeias1. O Diário Popular, à semelhança de outros jornais da época, decide abrir um amplo debate sobre este tema. Na sua edição de 12 de março, entrevista o conceituado arquiteto Conceição e Silva que afirma ser contra este projeto, pois iria destruir um dos poucos parques verdes que a cidade possuía na altura, sugerindo que, com esse dinheiro, se deveria construir infraestruturas que possibilitassem a realização de atividades desportivas e culturais para a população de Lisboa, nomeadamente exposições de livros e de esculturas, coretos, anfiteatros e espaços para os jovens jogarem a bola, retirando-os das ruas da cidade2.

Fonte: Diário Popular nº 7691, de 12-03-1964, 22º ano de publicação, pp. 1 e 13

1 Recomenda-se a leitura do livro O Planos da Avenida da Liberdade e seu Prolongamento, de Filipe Roseta e João Sousa Morais, edição/reimpressão 2006, Livros Horizonte, ISBN 9789722414074, Colecção Cidade de Lisboa.

2 As sugestões apresentadas em 1964 por este arquiteto acabariam por se concretizar anos mais tarde. Na altura, as únicas infraestruturas lúdicas existentes no parque Eduardo VII eram o Pavilhão dos Desportos, aqui aberto ao público em 1932 (depois de ter estado presente na Grande Exposição Internacional do Rio de Janeiro de 1922) e a "Nave", uma enorme sala construída em 1957, na Estufa Fria, por baixo da alameda do Parque, usada, durante muito tempo, como teatro municipal. Posteriormente, foram sendo edificados outros recintos desportivos no lado oriental. A partir dos anos novecentos e oitenta, o espaço por onde deveria passar o prolongamento da Avenida da Liberdade passa a ser ocupado pela Feira do Livro, realizada com periodicidade anual e por diversas exposições de escultura ao ar livre, como a de Brotero. Nos nossos dias, um eventual prolongamento da Avenida da Liberdade através do Parque Eduardo VII seria considerado uma agressão ambiental.