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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Dia Internacional da Mulher


História do
Dia Internacional da Mulher


Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros

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Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros
Pormenor da exposição organizada pela Biblioteca Municipal de Santiago do Cacém

MARIA LAMAS
Torres Novas, Portugal 1893 – 1983

Fotografia de Maria Lamas
“Este livro representa mais de dois anos de peregrinação por terras portuguesas. Porque pensei que só surpreendendo as pessoas nas suas situações quotidianas concretas (dormindo nas suas cabanas, comendo ás suas mesas) poderia falar com conhecimento de causa sobre elas. Utilizei, de facto, neste trabalho todos os métodos de que poderia dispor, desde a reportagem jornalística ao inquérito sociológico”. Com esta síntese, Maria Lamas expressa objectivos e metodologias. As Mulheres do Meu País, cujo primeiro fascículo sai em 1948 e o último em 1950, é, de facto, uma monumental reportagem sobre a situação das mulheres portuguesas. Todas as que “suportam inconcebíveis trabalhos, rigores e angústias, seja nas aldeias, seja no turbilhão das cidades”. É um livro de referência em estudos sobre as mulheres que a consagra como grande reporter. Uma obra em 15 fascículos mensais de 32 páginas, profusamente ilustrada. Uma investigação sobre a situação das mulheres portuguesas, no final da segunda metade do século XX português, castigado pela ruralidade e o imobilismo, pela ditadura de Salazar. O livro, é um empreendimento intelectual pioneiro de uma escritora da imprensa que, depois de documentar e divulgar as obras históricas femininas culturais e literárias (Certame das Mulheres Portuguesas, em 1930 e Exposição dos Livros Escritos por Mulheres, em 1947), parte, coerentemente e corajosamente, em busca das “obreiras da vida”, para conhecer in loco, a situação das mulheres que “costumam definir o seu destino com esta frase concisa e trágica: a nossa vida é muito escrava”. Considera as mulheres, (suas “irmãs”), como “vítimas milenárias de erros milenários”. Maria Lamas descreve com recorte literário, a situação do trabalho das mulheres portuguesas não se eximindo às questões das mentalidades: vida conjugal, os costumes, os namoros, as superstições e crendices, a linguagem, tudo tem lugar. Jornalista profissional, [Directora do Modas e Bordados (1927-1947)] escritora de ficção e de versos, activista cívica e dirigente política associou à luta dos direitos da mulher a luta pela Paz e pela Democracia. Conheceu a prisão, o exílio e a preseguição contínua.

MARIA JUDITE DE CARVALHO
Lisboa, Portugal 1921-1998

Fotografia de Maria Judite de Carvalho
Revelou-se como escritora com o livro Tanta Gente Mariana..., colectânea de uma novela e sete contos publicada em 1959. O livro considerado pela crítica como “estreia notabilíssima, talvez sem precedentes na história literária das últimas décadas” (Ramos de Oliveira, em Jornal de Notícias”) valeu-lhe reconhecimento instantâneo. Mas a sua obra completa (num total de 15 títulos, dois deles póstumos) permanece inexplicavelmente desconhecida do grande público. Nascida em Lisboa a 18 de Setembro de 1921, Maria Judite de Carvalho viveu em França e na Bélgica entre 1949e 1955, ainda antes da estreia literária. O resto dos seus anos, passou-os na capital, cenário de uma infância que evocava feliz: “Andava de bicicleta na Praça da Alegria, ia a pé até ao Campo Grande” (entrevista ao “Jornal de Letras”, 1996) e cujo fulgor não parece ter-se prolongado pela vida adulta que, nas suas palavras, “não foi boa, não” (ibidem). A esta amargura não terá sido alheia a ostensiva hostilização do público português à sua obra, de cuja promoção nunca, de resto, cuidou, avessa como foi sempre foi a toda a espécie de mundanismos. Maria Judite de Carvalho permanece uma escritora de actualidade renovada, difícil de catalogar no estilo que geralmente lhe é associado (herdeiro do existencialismo e do chamado “novo romance”), possuidora de portentosa capacidade para dissecar o desespero e a solidão quotidiana na grande cidade. Em “Tanta Gente, Mariana...” aparece já uma frase premonitória : “Mas hoje são 20 de Janeiro e daqui a três ou quatro meses começo a esperar a morte.” Morte que ocorreria só trinta e nove anos e doze livros depois, mas cujo lastro se deixa adivinhar nestas primeiras páginas, através do percurso de Mariana Toledo, a jovem de 15 anos que descobre, assim sem mais nem menos, que a solidão e a desagregação são as únicas coisas que temos certas. Embrião de toda uma obra futura (obra imprescindível no panorama da literatura portuguesa do século XX), “Tanta Gente Mariana...” é matriz do mundo que sempre acompanharia a obra da escritora . Um mundo só seu , onde o eco de cada passo se transforma no barulho ensurdecedor da passagem do tempo . Várias vezes galardoada, esta “flor discreta” da nossa literatura (como lhe chamou Agustina Bessa-Luis) permanece um grandioso mistério que o público não soube ainda desvendar como merece. Sina na qual foi coeva de Irene Lisboa, curiosamente a única escritora que alguma vez admitiu estar-lhe próxima da alma.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
Porto 1919

Fotografia de Sophia de Mello Breyner Andersen
Desde o livro de estreia, Poesia, de 1944, Sophia de Mello Breyner Andersen anunciava as principais características da sua arte poética: um rigor clássico traduzido numa enorme simplicidade de linguagem para dizer a aliança do ser com o mundo através de imagens nítidas como a terra, o sol e o mar. Em O Livro VI, Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1964, estas qualidades estão presentes em toda a sua fulgurância, a par de um amadurecimento formal que levou Eduardo Lourenço a escrever: “Poesia de precoce e hoje de matura sabedoria, a de Sophia foi desde o início a de uma busca no espelho do mundo e num mundo de evidências aurorais, embora por isso mesmo ocultas, a evidência elementar do vento, da bruma, do mar, do jardim exposto e secreto, com a sua divina e opaca linguagem à espera que o poeta a descubra para aceder do seu próprio silêncio à revelação da sua íntima e indevassável evidência”. A sua busca, indiferente a escolas, correntes ou modas, (“sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda de uma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso”), prossegue nas obras seguintes: Geografia (1967), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977, Prémio Teixeira de Pascoaes), Navegações (1983), Ilhas (1989)... É também autora de textos em prosa, nomeadamente Contos Exemplares (1962), Histórias da Terra e do Mar e os contos para crianças A menina do Mar e O Cavalheiro da Dinamarca. Nascida no Porto, de origem dinamarquesa pelo lado paterno e educada num meio aristocrático, esteve muito cedo ligada à luta antifascista e, a seguir ao 25 de Abril, foi deputada à Assembleia Constituinte. Os seus principais poemas de resistência política foram reunidos na antologia Grades (1970), sem prejuízo de a aspiração à liberdade e à justiça impregnarem toda a sua obra, como uma ética poética que lhe fosse natural. Viu a sua carreira consagrada com o Prémio Camões, em 1999. Faleceu em 2 de Julho de 2004.

MARGUERITE YOURCENAR
Bruxelas, Bélgica 1903-1987

Fotografia de Marguerite Yourcenar
Marguerite de Crayencour nasceu em Bruxelas em 1903 numa família aristocrática, de mãe belga , que morreu dias depois do seu nascimento, e de pai francês. Desde muito cedo aprendeu inglês, latim e grego. Em 1914 parte com o pai para Paris e, desde essa altura, a maior parte da sua vida vai vivê-la em viagens, sobretudo através da Itália e da Grécia. Começou a escrever na adolescência e continuou a fazê-lo depois da morte do pai que a deixou numa situação financeira confortável. Levou vida de nómada até ao eclodir da 2ª Guerra Mundial, altura em que se fixou nos Estados Unidos. Naturalizou-se americana em 1947. O nome Yourcenar é um anagrama imperfeito do seu nome original Crayencour. As obras literárias de Yourcenar são notáveis pelo seu estilo clássico, a sua erudição e subtileza psicológica. Nos seus livros mais importantes, recria eras e personagens do passado, meditando sobre o destino humano, a moralidade e o poder. A sua obra prima Memórias de Adriano (1951) é um romance histórico sobre as memórias fictícias do imperador do século II . Outro romance histórico, A Obra ao Negro (1968) é uma biografia imaginária de um alquimista e erudito do século XVI. Yourcenar traduziu numerosos romances ingleses e americanos para a língua francesa. Em 1981 torna-se a primeira mulher membro da Academia Francesa, instituído em 1635 por Richelieu. Para se ser membro da Academia Francesa é necessário ter a nacionalidade francesa. Yourcenar tinha-se tornado americana, no entanto, o Presidente da República Francesa concedeu-lhe a dupla nacionalidade em 1979. Em Outubro de 1987, foi-lhe atribuído o Grande Prémio Escritor Europeu do Ano, em Estrasburgo, durante o I Festival Europeu de Escritores. Não se assumindo como fazendo parte de nenhuma corrente literária, Marguerite Yourcenar é mundialmente consagrada como uma das maiores escritoras contemporâneas.

MARION ZIMMER BRADLEY
Albany, EUA 1930-1999

Fotografia de Marion Zimmer Bradley
Nasceu em Albany, Estados Unidos da América, em Junho de 1930, começou a escrever adolescente. Nos anos cinquenta, era aquilo a que se chama uma “escritora de sucesso fácil”, vendia histórias de sexo e de mistério a revistas de grande tiragem, para sustentar marido e filhos. Na década seguinte, dedicou-se à produção de romances góticos para poder tirar um curso universitário. As suas histórias de ficção científica do ciclo Darkover ( um planeta onde os seres humanos, ao contacto com os alienígenas, adquirem poderes extrapsíquicos) continuam a ter numerosos admiradores. Com As Brumas de Avalon, e a sua permanência de três meses na lista dos “bestesellers” do New York Times, Marion tornou-se uma escritora de prestígio e uma das mais lidas no mundo inteiro . Prosseguiu na mesma senda com Presságio de Fogo (1987), onde reescreve a guerra de Tróia de uma perspectiva feminista. Regressa ao universo mítico da Bretanha druídica, desta vez, em confronto com o Império Romano com A Casa da Floresta (1983). Deixou mais de meia centena de livros.

KAREN BLIXEN
Rungstdlund, Dinamarca 1885 – 1962

Fotografia de Karen Blixen
Karen Dinesen, por casamento Blixen, conhecida mundialmente por Karen Blixen, nasceu em Rungstedlund (Dinamarca), no seio de uma família aristocrata e rica, em 17 de Abril de 1885. A mãe foi a primeira norueguesa eleita para o Parlamento. Aos 10 anos o pai de Karen, militar, escritor e desportista, suicida-se provavelmente na sequência de ter contaído a sífilis, uma doença quase tão grave como hoje a Sida. Karen teve uma educação primorosa, ligada às artes, e aos 22 anos começa a publicar pequenas histórias. Sabe-se que Karen teve irmãs, que com ela estudaram francês, na Suiça. Aos 28 anos casa com o Barão Bror von Blixen-Finecke e partem para África, onde Karen vai gerir uma plantação de café perto de Nairobi. Com o início da Grande Guerra , em 1914, aquela parte de África ficou sob domínio da Grã-Bretanha. Em 1915 Karen regressa à Dinamarca para se tratar da sífilis, contraída pelo contacto com o marido. O homem da sua vida conheceu-o aos 30 anos, e foi Denys Finch Hatton (1887 – 1931). Em 1925 Karen está divorciada do marido e vai viver um ano na sua casa da Dinamarca. Embora tenha escrito esporádicamente para jornais dinamarqueses, foi com “Gotic Tales” (1934), que escreveu em inglês sob o pseudónimo de Isak Dinesen, que realmente iniciou a sua carreira literária. O interesse de Karen por África começou meramente pelo gosto dos safaris, desporto da moda, para gente rica, durante o século XIX e parte do séc. XX, quando as mentalidades achavam normal matar animais por prazer e fretar africanos para lhe fazer todos os trabalhos que os brancos, como colonos, não faziam. Quando Karen publica, em 1938, o seu mais conhecido “Out of Africa” (traduzido para português como África Minha) é já uma mulher com larga experiência de convívio com africanos. O livro é autobiográfico e viria a ser adaptado, com enorme sucesso, ao cinema. Muitos dos seus livros posteriores foram publicados simultaneamente em inglês e em dinamarquês. Ehrengarda, a Ninfa do Lago (1963), foi publicado no ano seguinte à morte de Karen Blixen, ocorrida em 1962.

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA PELAS ORGANIZADORAS DA EXPOSIÇÃO

Mulheres Século XX: 101 Livros, Lisboa, Câmara Municipal, 2001
A Imagem das Palavras, Lisboa, Contexto, 1991
Mordzinski, Daniel, Os Rostos da Escrita, Porto, Asa, 2000
História da Literatura Portuguesa, Porto, Porto Editora, (s.d.)
Biblos: Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, Lisboa, Verbo, 1997
Várias revistas Ler Livros & Leitores