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Oito Presidentes para a História (1910-1926)

Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo

A versão inicial deste texto foi publicada na revista Público Magazine de 14 de Janeiro de 1996.
A presente versão, revista e actualizada pela autora, foi inserida no Portal O Leme em 02-01-2006.



Em vésperas de eleições presidenciais, O LEME recorda as histórias e carreiras, pessoais e políticas, dos presidentes da Primeira República portuguesa, desde a data da implantação do regime, a 5 de Outubro de 1910, até ao eclodir do movimento do 28 de Maio de 1926, que abriu caminho a uma ditadura de meio século.
As eleições presidenciais de 2006 revestem-se de particular interesse devido aos perfis dos cinco principais candidatos e pelos dez debates já ocorridos. Também na 1ª República portuguesa os Presidentes foram homens de diversos quadrantes políticos e culturais. Escritores, tribunos, médicos, poetas e militares. Conheça-os.


1º Presidente: Manuel de Arriaga

5º Presidente: João de Canto e Castro

2º Presidente: Teófilo Braga

6º Presidente: António José de Almeida

3º Presidente: Bernardino Machado

7º Presidente: Manuel Teixeira Gomes

4º Presidente: Sidónio Pais

8º Presidente: Bernardino Machado



BERNARDINO MACHADO (1851-1944)
2º Parte

Bermardino Machado, primeiro e oitavo Presidente da República Portuguesa.              As eleições de Novembro de 1925 dão a vitória aos democratas. O Congresso elege , agora sim, Bernardino Machado.
             Sobre a sua vida já muito se disse na primeira parte deste artigo. Joel Serrão retratou-o assim no "Dicionário da História de Portugal" (p. 867): "Político dos mais notáveis da 1ª República Portugue-sa, Bernardino Machado foi um cidadão exemplar no rigoroso cumprimento dos seus deveres e na defesa intransigente dos seus direitos".
             Depois de um primeiro mandato na presidência, de 6 de Agosto de 1915 a 5 de Dezembro de 1917, Bernardino Machado experimentou um longo e forçado exílio, durante o qual recusou transmitir os poderes presidenciais aos vencedores da revolução sidonista de 5 de Dezembro de 1917.
             Este seu segundo mandato foi curto. Apenas de 11 de Dezembro de 1925 ao eclodir do movimento do 28 de Maio de 1926. A situação financeira do País era bastante melhor do que durante o seu primeiro mandato, mas o clima político não era nada calmo. Houve neste período um problema com os tabacos, passando para o controlo do Estado. A 28 de Maio, em Braga, o general Gomes da Costa revolta-se "contra as quadrilhas partidárias" e em Lisboa foi organizada uma junta revolucionária chefiada por Mendes Cabeçadas, a quem Bernardino Machado acaba por entregar o poder, como explica em 1926:
             "Quando transmiti os poderes presidenciais, fi-lo a um chefe de governo, de coração republicano, que eu sabia bem que se propunha restaurar o mais breve possível a ordem constitucional. Aos seus sucessores eu não os transmitiria". Bernardino Machado teve plena consciência de que a República estava em perigo. Mas era tarde de mais.
             Jaime Cortesão elogia-o deste modo: "Ele não foi um manipanço vago e solene, de capacete amarrado na cabeça. A sua legendária chapelada, que se diria ir do palácio de Belém até ao fundo dos campos de Portugal, ficou como exemplo democrático do respeito do homem pelo homem".



1º Presidente: Manuel de Arriaga

5º Presidente: João de Canto e Castro

2º Presidente: Teófilo Braga

6º Presidente: António José de Almeida

3º Presidente: Bernardino Machado

7º Presidente: Manuel Teixeira Gomes

4º Presidente: Sidónio Pais

8º Presidente: Bernardino Machado



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