MARIA LAMAS Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas (1893-1983)
Escritora e interveniente política portuguesa. Mulher de personalidade admirável,
oriunda de uma família burguesa de Torres Novas, ali estudou até aos dez anos.
Aprendeu línguas o que lhe viria a ser útil mais tarde, quando teve de ganhar a vida
com traduções. Traduziu mais tarde "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar,
que conheceria em Paris. Casou nova e aos 25 anos já tinha duas filhas. Viveu em
Luanda e quando o casamento naufragou divorciou-se e quis ser ela a assegurar a
educação das filhas. Começa a escrever para os jornais Correio da Manhã e Época,
mais tarde para O Século, A Capital e o Diário de Lisboa. Casou, em 1921, com
Alfredo da Cunha Lamas, e foi mãe mais uma vez. Em 1928 passou a dirigir o
suplemento Modas & Bordados do jornal O Século, dando-lhe uma feição diferente.
Um jornal que dava prejuízo passou a dar lucro, tal a importância da sua
colaboração. Era preciso chegar às mulheres trabalhadoras pouco esclarecidas quanto
aos seus direitos. A sua colaboração no "Correio da Joaninha" passou a ser um
diálogo educativo com as leitoras. Ligou-se ao MUD (Movimento de Unidade
Democrática) e depois ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde
desenvolveu intensa actividade política e cultural. Presa, pela primeira vez, por
motivos políticos, em 1949 sofreu imenso na prisão, porque a PIDE a colocou numa
prisão incomunicável durante quatro meses. Esteve muito
doente. Depois de várias prisões viu-se forçada ao exílio. A sua actividade como
escritora é intensa e diversificada. Escreveu contos infantis, estudos na área da
mitologia, porém o seu livro mais importante, fruto de dois anos de viagens por todo
o país é «As Mulheres do Meu País», uma obra de referência, onde colaboraram com
ilustrações os mais famosos intelectuais do tempo, editado em 1950. Seguem-se «A
Mulher no Mundo», 1952 e «O Mundo dos Deuses e dos Heróis», 1961.Esteve exilada por
diversas vezes, entre 1953 e
1962. Passados sete anos regressou do exílio. Tinha 76 anos e ainda a mesma
esperança de melhores dias para Portugal. Viveu o 25 de Abril de 1974 com enorme
alegria. Foram-lhe atribuídas duas das mais honrosas condecorações portuguesas, a de
Oficial da Ordem de Santiago da Espada e a da Ordem da Liberdade. Faleceu com 90
anos, em Dezembro de 1983. A cidade de Torres Novas relembra-a numa pequena
intervenção escultórica. A jornalista Maria Antónia Fiadeiro dedicou-lhe um estudo
monográfico.
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