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E F E M É R I D E S

19 DE JANEIRO

Nascimento de Edgar Allan Poe      Faleceu a 7 de Outubro de 1849

A 19 de janeiro de 1809, nasce, em Boston, o escritor norte-americano Edgar Allan Poe. É considerado um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica dos tempos modernos. Entre as suas novelas mais conhecidas destacam-se The Murders in the Rue Morgue (Os Crimes da Rua Morgue) e The Purloined Letter (A Carta Roubada). É, ainda, autor de O Corvo e de outros poemas.

Guerras napoleónicas: forças britânicas comandadas por Sir Arthur Wellesley capturam Ciudad Rodrigo

No âmbito das guerras napoleónicas, decorreram, de 1807 a 1814, operações militares na Península Ibérica. A 8 de janeiro de 1812, forças britânicas comandadas pelo Tenente-General Sir Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington) cercam Ciudad Rodrigo onde se encontrava uma guarnição francesa sob o comando do Brigadeiro-General Baron Barrié. A cidade acaba por ser capturada na noite de 19 de janeiro de 1912, após 11 dias de forte resistência.

Nascimento de Eugénio de Andrade      Faleceu a 13 de Junho de 2005

A 19 de janeiro de 1923, nasce, na Póvoa de Atalaia (Fundão), o escritor português Eugénio de Andrade. Como reconhecimento pela sua notável obra poética, traduzida para diversas línguas, foram-lhe atribuídos inúmeros prémios literários, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo ainda sido agraciado, pelo governo português, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito. Escreveu, também, diversos livros para crianças.

Inauguração, no Porto, da primeira central telefónica automática

Na tarde de 19 de janeiro de 1952, é inaugurada, no Porto, pelo Ministro das Comunicações, Coronel Gomes de Araújo, a primeira Central dos Serviços Automáticos da Companhia dos Telefones, que começaria a funcionar, a partir da meia-noite desse dia, para dez mil assinantes.

Fonte 1: Diário Popular n.º 3339, de 19-01-1952, 10.º ano de publicação, pp. 1 e 8
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 10464, de 19-01-1952, 31.º ano de publicação, p. 11. col 2

Situação dos emigrantes em França

A edição de 19 de janeiro de 1965 do Diário Popular insere um pungente artigo do seu correspondente em França, José Augusto, relatando o sofrimento dos emigrantes naquele país que se sacrificam para poupar e sustentar a família que deixaram na sua terra, vivendo em condições precárias. Para aqueles portugueses cerveja já é «bierre» e as férias são designadas por «vacanças». É assim em Champigny, em Nanterre ou em Aubervilliers, as três capitais dos trabalhadores portugueses em França, assim como o é nos 35 bairros de lata de Paris. Contando com uma média de 48 horas de trabalho por semana no Inverno e 54 no Verão, o trabalhador português pode obter um mínimo salarial na ordem dos 800 francos. Convertido em escudos, parece ser uma pequena fortuna; no entanto, a realidade é bem diferente: para poder mandar dinheiro para a terra, o trabalhador tem de apertar o cinto e laborar ainda mais, come mal e porcamente para o esforço que despende e vive em pocilgas indignas que lhe custam muito dinheiro.

Fonte: Diário Popular nº 7998, de 19-01-1965, 23º ano de publicação, pp. 1 e 7

Embora este artigo defina, com objetividade, a vida dos emigrantes portugueses em França, dever-se-á referenciar que, na altura, os grandes centros urbanos portugueses também possuíam bairros de lata cuja população era, em parte, constituída por migrantes que abandonavam as suas aldeias para obter um trabalho melhor remunerado na cidade. Eles, também, viviam em autênticas «pocilgas» e comiam «mal e porcamente», utilizando as duras palavras do articulista. Contudo, nenhum artigo dos jornais controlados pelo governo referenciava este facto. Poder-se-á conjurar que a razão principal que levou a censura prévia a autorizar a publicação desta peça jornalística foi a tentativa de desincentivar a ida clandestina de jovens portugueses para França, local privilegiado de todos os que tentavam fugir ao cumprimento do serviço militar nas colónias.

Saem os resultados finais de um plebiscito em Goa

Entre os dias 18 e 19 de Dezembro de 1961, as forças armadas indianas, numa operação realizada por terra, mar e ar, invadem os territórios de Goa, Damão e Diu, terminando com mais de 451 anos de domínio português. Salazar sempre se recusou a reconhecer a soberania indiana sobre estes territórios, mantendo-os representados na Assembleia Nacional. Em 1967, realiza-se, nestes ex-territórios portugueses, um plebiscito perguntando à população local se pretendia ficar com um estatuto separado ou fundir-se com o estado vizinho de Mahara. A 19 de janeiro, saem os resultados finais desta consulta popular direta: 172 191 pessoas votaram por um estatuto separado, enquanto apenas 138 170 concordaram com a fusão. Os jornais portugueses da época, moldados pela censura prévia, deram grande destaque a este facto. O Diário Popular, por exemplo, escreve: «Logo que completou a conquista violenta e a ocupação de Goa, o governo indiano revogou as leis por que se regia o território, substituiu por indianos os funcionários goeses, iniciou a discriminação religiosa, introduziu o sistema de castas, proibiu o uso e ensino da língua portuguesa e começou a perseguição de todos os que quisessem conservar a nacionalidade portuguesa». E mais adiante, aquele órgão de comunicação diz ainda: «Uma multidão calculada em 40 000 pessoas veio para as ruas cantar e dançar manifestando, assim, a sua satisfação por ter sido rejeitada a fusão de Goa com o Estado indiano de Maharashtra».

Fonte 1: Diário Popular n.º 8714, de 19-01-1967, 25.º ano de publicação, pp. 1 e 13
Fonte 2: Diário Popular n.º 15836, de 19-01-1967, 46.º ano de publicação, pp. 1 e 2

Ciclone assola Moçambique

A 19 de janeiro de 1968, o ciclone Georgette atinge a costa norte de Moçambique, destruindo centenas de habitações e interrompendo vias de comunicação, com o consequente isolamento de inúmeras povoações. As zonas mais afetadas foram a cidade de António Enes (atual Angoche), Boila, Larde e a praia de Quinga, tendo morrido, segundo os jornais da época, pelo menos quinze pessoas, embora se receasse pela vida de muitas mais. As tropas portuguesas foram chamadas para efetuar operações de salvamento.

Fonte 1: Diário Popular n.º 9073, de 20-01-1968, 26.º ano de publicação, pp. 1 e 11
Fonte 2: A depressão tropical "Georgette" 10 a 30 de Jan 1968, José Maria da Rosa

O furacão Georgette foi acompanhado durante 24 dias, entre 10 de janeiro e 2 de Fevereiro de 1968, pelos serviços meteorológicos franceses que o consideram o mais longo sistema de baixa pressão ocorrido no sudoeste do Oceano Índico desde 1967, altura a partir da qual estes fenómenos atmosféricos começaram a ser rastreados pelos satélites.