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E F E M É R I D E S

7 DE JANEIRO

Morte de Inês de Castro

Razões de ordem política levam o rei D Afonso IV a mandar executar Inês de Castro, amante do seu filho D. Pedro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, a 7 de janeiro de 1355, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pero Coelho. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a bela Inês se encontra “posta em sossego” e matam-na. Camões imortaliza, n'Os Lusíadas, os amores de Inês e D. Pedro, na estrofe CXX do Canto III:

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
de teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos de Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

A 18 de Junho de 1360, D. Pedro fez a declaração solene de que casara com D. Inês, num dia de 1354, para legitimar os quatro filhos que tiveram em comum.

Fonte: Juramento de D. Pedro I do matrimónio celebrado com D. Inês de Castro. 18 de Junho de 1360.
(Versão em português atual do texto original depositado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo)

Descoberta de Calisto

A 13 de janeiro de 1610, Galileu descobre Calisto, satélite do planeta Júpiter. Mais pequeno que Mercúrio, tem apenas um terço da sua massa.


II Conferência da União Nacional

A 7 de janeiro de 1949, com a presença de Salazar, membros do Governo e outras entidades, é inaugurada, no Palácio da Bolsa, na cidade do Porto, a II Conferência da União Nacional. Marcelo Caetano, futuro presidente do Conselho de ministros, está presente na sua qualidade de presidente da comissão executiva da União Nacional.

Na abertura da conferência, o Chefe do Governo abordou as relações existentes entre o regime ditatorial vigente e as várias áreas da sociedade de então, nomeadamente os partidos, as liberdades, os trabalhadores e a Igreja. Teceu, ainda, comentários sobre a Sociedade Internacional e a evolução futura do regime.

O encerramento da conferência teve lugar a 9 de janeiro desse ano.

Fonte 1: Diário de Lisboa n.º 9378, de 7 de janeiro de 1949, pp. 1 e 6
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 9379, de 7 de janeiro de 1949, pp. 1 e 11

Os funcionários administrativos deixam de trabalhar sábado à tarde

Por despacho do ministro do Interior, os funcionários administrativos passam, a partir do dia 7 de janeiro de 1961, a ter a tarde de sábado livre. Para o efeito, terão de trabalhar, durante toda a semana, mais meia hora.

Fonte: Diário de Lisboa 13674, de 07/01/1961, p. 9

15% de aumento para a Função Pública

A 7 de janeiro de 1977, o Presidente da República, General Ramalho Eanes, assina um decreto que aumenta em 15% o salário dos funcionários públicos. O Sindicato dos servidores do Estado, que havia pedido um acréscimo de 2 000 escudos (10 euros) para todos os trabalhadores, comenta que «este aumento só favorece quem ganha mais».

Fonte: Diário Popular n.º 12127, de 07-01-1977, 35º ano de publicação, pp. 1 e 10



A inflação em Portugal foi de 18,3% em 1976 e 27,3% em 1977, pelo que este acréscimo de 15% proposto pelo governo para a Função Pública revelou-se insuficiente para cobrir o aumento do custo de vida.

Morte de Mário Soares

A 7 de janeiro de 2017, o político português Mário Soares morre, com 92 anos de idade, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Ombreando com os maiores vultos da história de Portugal, Mário Soares, como figura incontornável da segunda metade do século XX, contribuiu decididamente para a implementação da Liberdade e da Democracia no seu país.

Mário Soares nasceu em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924. As ações políticas que encetou contra o Estado Novo desde os tempos de estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tiveram como consequência ter sido preso 13 vezes pela PIDE (polícia política) e ainda ter sofrido, em 1968, uma deportação para São Tomé. Tendo concluído, em 1951, a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas iniciou, na mesma Universidade, o Curso de Direito, tendo-o concluído em 1957. Como advogado, defendeu, em tribunais plenários, inúmeros opositores ao regime. Devido às constantes perseguições que a polícia política lhe fazia, viu-se obrigado, em 1971, a refugiar-se em Paris. Foi um dos fundadores, em 1973, do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral. Regressou a Lisboa em 1974, logo após o derrube do regime, tendo sido chamado a desempenhar as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no âmbito das quais desenvolveu negociações conducentes à independência das colónias portuguesas. Opôs-se à tentativa de um sector de militares sublevados que pretendiam conduzir progressivamente o país para um regime de extrema-esquerda. Demitiu-se do cargo em Março de 1975, passando a ocupar um ministério sem pasta. Volvidos dois meses, demitiu-se, igualmente, deste cargo. Foi primeiro-ministro de 1976 a 1978 e de 1983 à 1985. Negociou, de 1977 a 1985, com pleno sucesso, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia (atual União Europeia). Foi presidente da República dois mandatos sucessivos, de 1986 a 1996, tendo iniciado as chamadas presidências abertas, durante as quais percorreu muitas regiões do país, auscultando diretamente as aspirações e as reclamações populares, dando assim início a uma nova postura presidencial. Desempenhou, posteriormente, as funções de eurodeputado no Parlamento Europeu. Nos últimos anos da sua vida, dedicou-se à escrita, à coordenação da Fundação a que deu o seu nome e à intervenção em inúmeros congressos e debates. Faleceu a 7 de janeiro de 2017, com 92 anos de idade, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Para uma mais completa informação sobre a sua vida e obra, consulte o site da Fundação Mário Soares, clicando na figura a seguir inserida: