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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Postais Virtuais alusivos ao
Dia Internacional da Mulher


História do
Dia Internacional da Mulher


Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros

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Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros
Pormenor da exposição organizada pela Biblioteca Municipal de Santiago do Cacém

ISABEL ALLENDE
Lima, Perú 1942

Fotografia de Isabel Allende
Se não fosse o golpe militar de Pinochet, talvez Isabel Allende continuasse a ser uma jornalista que gostava da sua profissão, não se tornando assim na mais famosa romancista contemporânea da América Latina. A morte de seu tio, presidente socialista democraticamente eleito, e o clima de terror que se seguiu ao atentado, obrigaram-na a abandonar o Chile, com a família, para buscar refúgio na Venuzuela. Na pátria ficou um velho avô, patriarca que havia assombrado na sua infância. Do exílio, para manter vivos os laços afectivos, a neta começa a escrever-lhe uma longa carta. Essa carta foi o ponto de partida da A Casa dos Espíritos (1980), um romance vigoroso que narra a história de uma família, parecida com a sua, desde o início do século, espelho das vicissitudes que o país entretanto atravessou. Formalmente inspirado no realismo mágico de Garcia Márques, mas sem perder de vista a realidade social chilena, o romance dá especial relevo a retratos de mulheres, que, sem terem o poder, possuem, contudo, poderes secretos, capazes de tomar a vida, no dia-a-dia, mais humana, de modo a contrabalançar a autoridade inquestionada dos tiranos domésticos. Com o correr do tempo, o livro, que em breve se transformou num êxito de vendas e foi adaptado ao cinema, acabou por intregar-se, naturalmente, numa trilogia de que fazem parte Filha da Fortuna (1999) e o recente Retrato a Sépia : no conjunto, uma saga familiar onde ecoam, mas vivências de sucessivas gerações, os problemas de um Chile conturbado que a escritora escolheu como pátria, apesar de ter nascido, acidentalmente, no Peru e de viver, actualmente nos Estados Unidos da América. De caminho, forma surgindo novas obras assinadas por Isabel Allende: entre outras, De Amor e de Sombra (1984), Eva Luna (1987), O Plano Infinito (1991), Afrodite (1994) e Paula (1995), onde a autora cumpre o luto por uma filha que acaba por morrer no termo de uma filha que acaba por morrer no termo de uma longa doença de que o seu amor não conseguiu salvá-la. Uma vez mais, a literatura como catarse, com resultados esteticamente brilhantes e existentes comoventes.

NADINE GORDIMER
Springs, Johannesburg, África do Sul 1923

Fotografia de Nadine Gordimer
Nadine Gordimer recebeu o Prémio Nobel da Literatura, em 1991, chamando, mais uma vez a atenção para a ignomínia que era o apartheid, na África do Sul. Disse, numa entrevista, que o dia em que se sentira mais orgulhosa na sua vida , não fora quando recebeu o Nobel, mas quando, em 1986, testemunhara num julgamento, para salvar as vidas de 22 membros da ANC, acusados de traição. Nadine Gordimer nasceu na cidade de Spings, no Transval, em Novembro de 1923, filha de emigrantes judeus. O pai era joalheiro, nascido na Lituânia, e a mãe originária de Londres. A mãe de Nadine impressionada com o modo como eram tratadas as crianças negras, abriu uma creche, para dar apoio gratuito a essas crianças. Nadine começou a escrever aos 15 anos, pequenas histórias que publicou com o nome de Face to Face, dez anos depois. Estudou na Universidade de Witswatersrand, Joanesburgo e viajou bastante por África e América do Norte. Casou duas vezes e tem uma filha e um filho, que vivem fora da África do Sul. Até 1994, Nadine já tinha publicado treze novelas , duas centenas de pequenas histórias e diversos livros de ensaio. Está traduzida em mais de trinta línguas e recebeu numerosos prémios e doutoramentos honoris causa. Para perceber a escrita de Nadine Gordimer é necessário conhecer um pouco da História do país onde nasceu e vive – África do Sul. A população branca é fruto da mistura dos primeiros colonos holandeses (chegados cerca de 1652) e franceses que a si próprios se denominavam africânderes (filhos de pai holandês e mãe hotentote) ou boers, e ingleses e alemães e que se lhes juntaram posteriormente. A maior parte das leis do apartheid surgiu com um governo ingtlês, em 1948, mas os holandeses e alemães que ali se fixaram eram convictos defensores da supremacia branca. Aqui o fulcro é o mesmo a luta contra o apartheid, que cujo fim Nadine Gordimer teve a alegria de presenciar anos depois da escrita do livro A Gente de July (1981).

SYLVIA PLATH
Boston, Massachusetts, EUA 1932-1963

Fotografia de Sylvia Plath
Foram os últimos poemas escritos por Sylvia Plath. A 11 de Fevereiro de 1963, com 31 anos de idade, no seu apartamento de Londres, a poetisa punha termo á vida. Deixava dois filhos de tenra idade, um marido de quem estava a separar-se, um romance, A Campânula de Vidro, publicado apenas três semanas antes sob pseudónimo, um primeiro livro de poesia, The Colossus, de 1960, e vários textos inéditos. A recolha Ariel, organizada pelo viúvo, o poeta Ted Hughes, foi editada dois anos após a morte se Sylvia Plath, mostrando-a na maturidade do seu génio poético. Posteriormente vieram à luz duas outras colectâneas de poemas, Crossing the Water e Winter Tress (este inclui também a peça Three Women), além de um volume de correspondência organizada pela mãe, Letters Home, e de uma selecção de histórias, artigos e excertos de diário, Johnny Panic and the Bible of Dreams, também da responsabilidade de Ted Hughes. As circunstâncias da vida e da morte de Sylvia Plath criaram uma mitologia à sua volta que, mais do que esclarecer, tem contribuído para confundir as interpretações da sua obra. Uma coisa é certa: é uma obra forte, alheia a convenções, arrebatada e arrebatadora. Provavelmente de fundo autobiográfico, reflectindo uma ânsia de perfeição e verdade que a existência lhe negou. Na introdução à edição americana de Ariel, diz Robert Lowel: “tudo nestes poemas é pessoal, confessional, sentido, mas a maneira de sentir é alucinação controlada, a autobiografia de uma paixão. Esta poesia e esta vida não são uma carreira; dizem que a vida, mesmo quando disciplinada, simplesmente não vale a pena ser vivida”. Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, de ascendência alemã e austríaca. Era uma menina dotada e ambiciosa, apoiada por um pai simultaneamente amado e odiado que morreu quando ela tinha oito anos. Na mãe, detestava o sentido da domesticidade. Adolescente, tem o privilégio de frequentar um estágio na Mademoiselle de Nova Iorque, que lhe inspira a matéria de A Campânula de Vidro (incluindo a tentativa de suicídio de heroína e o tratamento à base de choques eléctricos a que é submetida). Morre inacabada.

ARUNDHATY ROY
Kerala, India 1960

Fotografia de Arundhaty Roy
Graças à atribuição do Booker Prize em 1998, Arundhaty Roy obteve a consagração literária aos 38 anos com a publicação de um primeiro romance que passou a constituir um macro fundamental na literatura indiana. Situado na região de Kerala, no sul do subcontinente, de onde a autora é oriunda, O Deus das Pequenas Coisas narra a saga de uma família hindu convertida ao cristianismo, cujos membros se dispersam pelo mundo para, no termo de três gerações, se reunirem na terra natal e aí fazerem o balanço das experiências vividas. Como numa metáfora da união-separação, o protagonismo é assumido por um par de gémeos, Esthappen e Rahel, irmão e irmã, o que fica e a que parte, a que volta e o que permaneceu, Oriente e Ocidente ou vice-versa – e o tema fulcral da narrativa, misteriosamente aberto até à última página, é a possibilidade – impossibilidade de reencontro entre mundos separados por uma violência que ultrapassa a carne. Para dizer esta tragédia, social, familiar e individual, A. Roy transpõe os limites do romanesco convencional, entra no território velado da poesia, socorre-se do poder mágico do mito. O resultado é um livro que não se parece com nenhum outro e lembra, vagamente todas as hipóteses de livro sobre épocas convulsas e bastardas. Arquitecta de formação, argumentista de cinema e televisão por ocupação, militante feminista e ecologista (lutou contra o armamento nuclear da Índia) por influência de uma mãe avançada demais para o lugar e a época, Arundhaty põe nesta obra a máxima sabedoria que é possível ter-se sobre o passado que nos prende e o presente que nos asfixia. Recentemente, publicou o ensaio Pelo Bem Comum (2001), onde contesta a construção de uma mega-barragem que, em nome do progresso, vai desalojar centenas de milhar de pessoas. Pertence à categoria de escritores para quem a literatura, sem abdicar de uma busca estética, se insere num vasto projecto ético.

VIRGINIA WOOLF
Londres, Reino Unido 1882 – 1941

Fotografia de Virginia Woolf
A escritora Virginia Woolf evoca desde logo a essência da tragédia. Sentindo-se incapaz de controlar a vida, preferiu a morte, afogando-se num rio com os bolsos repletos de pedras. E no entanto, aparentemente, ela desfrutava das condições que considerava essenciais para uma mulher se afirmar como escritora, advogadas no seu ensaio “Um Quarto que seja Seu” – dispor de espaço, físico e psicológico e de dinheiro suficiente para se bastar a si própria. Inserindo-se na impressionante cadeia de mulheres inglesas, nascidas a partir de 1800, que produziram literatura, a obra desta escritora é sempre classificada como sendo das mais inovadoras e estimulantes, quer entre as mulheres autoras, quer entre o conjunto dos criadores de ambos os sexos. Reconhecida em vida, apoiada pelo seu marido, igualmente escritor, Leonard Woolf, Virginia produziu nove romances, duas biografias, sete volumes de ensaios, vinte e seis cadernos de diários e um sem número de cartas. Nasceu numa família que estimulou os seus talentos mas teria sido objecto, na infância, de abuso sexual por parte dos seus meio-irmãos mais velhos. Estas circunstâncias, aliadas a lutos familiares (a mãe morreu quando ela tinha 13 anos) e aos horrores de duas guerras mundiais, têm servido aos seus numerosos biógrafos e estudiosos para explicar as muitas depressões de que sofreu e as tentativas de suicídio que realizou até ao encontro definitivo com a morte. Os violentos tratamentos médicos a que foi submetida num hospício para “mulheres loucas”, que passavam por absoluto isolamento, proibição de qualquer actividade, incluindo a leitura e a escrita, com o conluio bem intencionado de seu marido e irmã, também teriam tido efeitos nefastos. Seu marido decidiu no início do casamento, aparentemente harmonioso, que ela não tinha resistência para ser mãe, o que Virginia Woolf sentiu como uma fragilização da sua identidade. Neste quadro se situam as suas reflexões sobre a condição feminina publicadas em 1929, onde nos conduz eruditamente de ideia em ideia, com lógica, com aparente leveza, com ironia. Inventa uma irmã para Shakespeare, a qual nunca poderia Ter sido escritora pelo mero facto de ser mulher. Verbaliza com 50 anos de antecedência muitas das questões retomadas no final do século XX e até ao presente.

MARGUERITE DURAS
Saigão, Indochina 1914 - 1950

Fotografia de Marguerite Duras
Nascida em 2 de Abril de 1914, em Saigão, Indochina, onde passou a infância e a adolescência, Marguerite Duras iria ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa. Em 1932 fixou-se em Paris, onde estudou Direito, Matemática e Ciências Políticas. Após o armistício, ingressou no Partido Comunista Francês, de que foi expulsa, em 1950, por dissidências ideológicas. Formada sob a influência da moderna narrativa norte-americana, e sobretudo de Hemingway, obteve renome internacional com a publicação do romance Un barrage contre le Pacifique (1950), cuja acção decorre na Indochina. Nesta obra, parcialmente autobiográfica, a autora narra a vida estranha de uma viúva francesa e de seu filho, implicados nos sofrimentos impostos pela corrupção do ambiente colonial francês, e atinge momentos de grande energia e de um vigor excepcional. Seguem-se outros romances, de que se destacam Le Square (1955), em que a autora envereda por uma técnica de narração que virá a ser uma característica dominante do seu ficcionismo e que a associou ao movimento do nouveau roman . Autora de peças de teatro e de vários filmes, entre os quais o célebre Hiroshima, meu amor, foi o seu romance O Amante, (prémio Goncourt de 1984), relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora, que a tornou conhecida de um público vastíssimo, até aí arredado de uma obra considerada demasiado difícil e intimista. “Não podemos fazer mais do que amar - ou execrar - essa pequena mulher provocante, rodeada dos seus fantasmas (...). Essa pequena mulher, que roda sobre ela mesma como uma valsa solitária, terá sido uma senhora? Foi sobretudo uma mulher voraz de uma literatura que é um grito de amor ao longo de todas as páginas. Uma Piaf.” - Jean-François Josselin.

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA PELAS ORGANIZADORAS DA EXPOSIÇÃO

Mulheres Século XX: 101 Livros, Lisboa, Câmara Municipal, 2001
A Imagem das Palavras, Lisboa, Contexto, 1991
Mordzinski, Daniel, Os Rostos da Escrita, Porto, Asa, 2000
História da Literatura Portuguesa, Porto, Porto Editora, (s.d.)
Biblos: Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, Lisboa, Verbo, 1997
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