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O Leme - Origem do Dia dos Namorados


O Leme - Lenços para o Dia dos Namorados

DIA DOS NAMORADOS
VERSOS DE AMOR


                   Verdes são os campos,
                   De cor de limão:
                   Assim são os olhos
                   Do meu coração.
   (Camões)


Frases de Amor


O Leme - Postais para o Dia dos Namorados




Inúmeros escritores portugueses expressaram os seus sentimentos amorosos em versos de inexcedível beleza. O Leme apresenta alguns exemplos, indicando o nome do respectivo autor. Que estes poemas possam ser o ponto de partida para uma leitura mais profunda da obra dos escritores referenciados, é o desejo da equipa do Leme.









































OLHOS NEGROS

Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores...
E eles a dizer que não.

E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp'rança
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, negros os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim...
Nunca mais dizem que não.


in «Folhas Caídas e Outros Poemas»,
de Almeida Garrett





AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís de Camões



OLHA, MARÍLIA, AS FLAUTAS DOS PASTORES

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folgas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que a manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se não te vira
Mais tristeza que a morte me causara.


Bocage



AMAR!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca



SENHORA PARTEM TAM TRISTES

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d'esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.


João Roiz Castell-Branco
Poesia Palaciana
Cancioneiro Geral, III, 134




O AMOR É UMA COMPANHIA

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais
      depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir
      vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que
      está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as
      árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que
      sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol
      com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro
, heterónimo de Fernando Pessoa


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