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FERDINAND DE SAUSSURE

Investigador suiço, fundador da linguística moderna
Genebra, 26.11.1857 - Vufflens, Vaud, 27.02.1913


Elementos biográficos e breves dados sobre a sua obra elaborados por Jorge de Freitas



Os seus trabalhos de investigação permitiram o estabelecimento da linguística como ciência.


Fotografia de Emílio Salgari

Ferdinand de Saussure faz os seus primeiros estudos no colégio de Hafwyl, perto de Berna. Em 1870, entra para o Instituto Marline, onde complementa os conhecimentos que já detinha de francês, inglês e alemão com o estudo da língua grega. Em 1872, termina um manuscrito intitulado Essai sur les langues. Dois anos depois, começa a estudar o sâncrito. Em virtude de ser oriundo de uma família com elevada cultura científica, inicia, em 1875, os seus estudos universitários na área das ciências exactas. Porém, após dois semestres, abandona esta área, prosseguindo estudos linguísticos em Leipzig, Berlim e Paris. Em 1877, antes de perfazer vinte anos de idade, já Saussure criava notoriedade apresentando à Société de Linguistique de Paris uma memória sobre o sistema primitivo das vogais nas línguas indo-europeias. Aos vinte e dois anos de idade, apresenta, em Leipzig, como tese de doutoramento, um estudo sobre o emprego do genitivo absoluto em sâncrito. Inicia, então, a carreira de professor universitário, leccionando primeiramente a cadeira de Gramática Comparada na Escola de Altos Estudos de Paris (1881-1891) e, posteriormente, na Universidade de Genebra, as cadeiras de Linguística Indo-europeia e Sâncrito (1891-1906) e Linguística (1906-1012). Insatisfeito com explicações linguísticas parciais, tenta, durante largos anos, estabelecer princípios metodológicos coerentes, considerando-os, no entanto, sempre prematuros, razão pela qual nunca os comunica oficialmente. Em 1915, dois anos após a morte de Saussure, os seus discípulos Charles Bally e Albert Séchehaye publicam um apanhado de três cursos que este havia ministrado no âmbito da cadeira de Linguística, atribuíndo-lhe o título "Cours de Linguistique Générale".

AGUNS DADOS SOBRE A SUA OBRA

A Língua e a fala

A linguagem é uma faculdade humana que torna possível a produção social de sistemas de signos que servem para comunicar: as línguas. O sistema linguístico é um fenómeno social que deve ser estudado na sua estrutura, abstraíndo todas as relações históricas. A fala, como acto individual de utilização da língua num contexto particular, não é o objecto da linguística.


    [...] a língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos; mas esta é necessária para que a língua se estabeleça; historicamente, a fala precede sempre. Como seríamos capazes de associar uma ideia a uma imagem verbal se antes não tivéssemos surpreendido uma associação num acto de fala? Por outro lado, é ouvindo os outros que aprendemos a nossa língua materna; ela só se instala no sosso cérebro após inúmeras experiências. Por último, é a fala que faz evoluir a língua: são as impressões recebidas ao ouvirmos os outros que modificam os nossos hábitos linguísticos. Há, portanto, interdependência da língua e da fala; aquela é, ao mesmo tempo, o instrumento e o produto desta. Mas tudo isto não as impede de serem duas coisas absolutamente diferentes.
    [ Curso de Linguística Geral, Editorial D.Quixote, 7ª Edição, Janeiro de 1995, pp.48 e 49 ]

Signo, significado e significante


    Chamamos signo à combinação do conceito e da imagem acústica [...] Propomos manter a palavra signo para designar o total e substituir conceito e imagem acústica respectivamente por significado e significante.
    [ Curso de Linguística Geral, Editorial D.Quixote, 7ª Edição, Janeiro de 1995, pp.123 e 124 ]

Sincronia e Diacronia

Saussurre dividiu em duas vertentes o estudo da linguagem: a sincrónica, que se limita a examinar uma linguagem particular num determinado período da sua existência (por exemplo, o português actual) e a diacrónica, que aborda o estudo histórico do desenvolvimento da linguagem (por exemplo, a evolução do português medieval até aos nossos dias).

    Na prática, um estudo da língua não é um ponto, mas um espaço de tempo, mais ou menos longo, durante o qual a quantidade de modificações ocorridas é mínima. Podem ser dez anos, uma geração, um século, mesmo mais. Por vezez, uma língua evolui lentamente durante um longo intervalo e, em seguida, sofre transformações consideráveis em poucos anos. De duas línguas coexistentes num mesmo período, uma pode evoluir muito e outra quase nada; no segundo caso, o estudo será necessariamente sincrónico, no outro diacrónico.
    [ Curso de Linguística Geral, Editorial D.Quixote, 7ª Edição, Janeiro de 1995, p.174 ]

Edições em português


    Curso de Linguística Geral, Lisboa, Editorial D.Quixote

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