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De todas as obras executadas pelo homem, com mais ou menos «engenho e arte», as pontes têm uma beleza muito especial, pela sua simplicidade ou espectacularidade, que tem também a ver com a paisagem envolvente e, quase sempre com a vida de uma aldeia ou cidade. Quando viajamos elas lá estão discretas ou imponentes, cumprindo a sua missão em silêncio, como respeitáveis relíquias do passado. As pontes estão repassadas de mitos e simbolismo e cada uma tem a sua história, com tragédias e triunfos para contar.
Já reparou que foram precisamente as pontes escolhidas para tema das notas em papel-moeda da União Europeia, numa nítida mensagem do traço de união entre povos e culturas.

Recordo aqui a história verdadeira de uma ponte famosa que existe do outro lado do Atlântico – a Ponte de Bronze – que teve uma mulher como protagonista – Emily Warren Roebling.


No mês de Maio de 1983, os nova-iorquinos festejaram com a grande alegria, bandas de música, muito fogo de artifício, serpentinas e discursos, o primeiro centenário da Ponte de Brooklyn. Um século antes, e como se deve «dar a César o que é de César», os oradores que inauguraram a Ponte não se esqueceram de enaltecer o trabalho imenso de paciência e persistência de Emily Roebling, pois, sem ela a ponte de Brooklyn jamais teria sido acabada. Ela teve a honra de ser a primeira pessoa a atravessá-la.
Emily era uma simpática dona de casa, casada com o coronel e engenheiro, Washington Augustus Roebling (1837-1926) e nora de John Augustus Roebling (1806-1869) engenheiro de origem alemã[1] que emigrou para os Estados Unidos, em 1831. Foi ele quem desenhou, ou melhor, projectou a ponte, mas teve um acidente grave, ao estudar o local exacto da construção da ponte, tendo ficado com um pé esfacelado. Na sequência desse ferimento grave, contraiu o tétano e viria a falecer três semanas mais tarde sem poder iniciar a construção da ponte para a qual gastou muito do seu tempo e saber. Sucedeu-lhe o filho, Washington Roebling, que continuou o trabalho, tendo-lhe sido exigido frequentar o Rensselaer Polytecchnic Institute, graduar-se em engenharia e, então sim, poder prosseguir o trabalho do pai. Porém uma segunda fatalidade envolveria a família Roebling.
Numa tarde de Verão no ano de 1872, Washington Roebling, devido a uma doença chamada “mal dos mergulhadores”, ficou parcialmente paralisado e sem fala. É foi então que a sua mulher, Emily, percebeu que podia e devia intervir. Sendo ela a única pessoa que sabia comunicar com ele e como já lhe tinha servido de secretária será ela a arcar, por sua própria opção, com a responsabilidade de levar a bom termo este projecto de enorme envergadura.
De início o marido ensinou-lhe matemática, cálculo e resistência de materiais, mas Emily sabia quais eram as suas limitações e era imperioso estudar muito mais. Orientada pelo marido, consegue passar nas provas de ingresso na escola superior Georgetown Visitation Convent, onde seguiu um rigoroso programa de estudos, tendo, entre outras, as disciplinas de álgebra, geometria, botânica, química e geologia. Depois desta árdua etapa de estudos, Emily Roebling podia negociar os acordos com as diversas firmas intervenientes num tão grande projecto e acompanhar a construção da ponte.
Entretanto o marido observava a construção de longe, na sua casa em Brooklyn Heights, que, como o nome indica, era numa zona alta do então bairro de Brooklyn. Para poder controlar os trabalhos o Sr. Roebling utilizava um potente telescópio. Agora Emily podia perceber quais os materiais que se deviam utilizar, inspeccionar o andamento da ponte todos os dias. Depois de algum tempo passou a ser admirada e tomada a sério por todos os homens que durante praticamente 16 anos, construíram uma das mais complexas e belas pontes do mundo.
Ao contrário do que se possa pensar, durante aqueles longos anos Emily manteve-se num quase total anonimato para o comum das pessoas. Apenas no dia da inauguração, o congressista Abram S. Hewitt descreve a nova ponte também como um monumento «à mulher e à sua capacidade para estudos elevados, lamentando que estes lhe tivessem sido negados demasiado tempo». Fez-se justiça à inteligência e vontade indomável de uma mulher com um profundo sentido cívico, porque a ponte era um bem necessário a uma grande comunidade.
A ponte de Brooklyn, tinha, de início, um arco de 486 metros, uma extensão de pouco mais de 2 km, fundações que atingiam 41 metros e foi a primeira ponte dos EUA onde se utilizaram cabos de aço unidos paralelamente, em vez de cabos de ferro. As duas torres que emitam o estilo gótico são de grande beleza e elevam-se a 82 metros de altura. A ponte comportava duas vias-férreas, duas para carruagens de cavalos e uma via superior para peões. Várias experiências e estudos feitos por outros engenheiros foram testados na nova ponte. Houve contratempos e avanços, como se previa, mas foi uma obra ainda hoje considerada extraordinária.
De cada lado da Ponte foi colocada uma placa comemorativa, com os nomes do casal Roebling, a quem se deve a concepção e acompanhamento da construção bem como a homenagem aos 26 trabalhadores que morreram para que ela fosse erguida. Não foram muitos os mortos, tendo em conta que lá trabalhavam 600 homens todos os dias.
Depois da inauguração, Emily Roebling apoiou a National Federation of Women’s Clubs e multiplicaram-se os convites para aparecer em acontecimentos da maior importância, relacionados com o papel das mulheres na sociedade e o seu contributo para a construção daquele, ainda jovem, país. Emily participou na Exposição Mundial de Columbia, em 1893. Não contente com o que sabia, foi ainda estudar Direito na Universidade de Nova Iorque e chegou a publicar um trabalho nesta área, no Albany Law Journal. Com os conhecimentos adquiridos, Emily Roebling, considerada a primeira engenheira americana, projectou sozinha a mansão da família em Trenton, para onde foi viver com a família. Feliz por ser agora uma mulher diferente, um dia disse ao filho que com o que aprendera podia ser útil à sociedade, podia ter uma profissão e auferir um salário, sem depender, como era uso na época nas classes altas, do ordenado do marido. No fim de século passado muitas norte americanas pensavam como Emily Roebling.
Em 1899 a ponte de Brooklyn sofreu grandes alterações e hoje o caminho-de-ferro que passava na ponte foi substituído por uma auto-estrada com seis vias e uma via superior é especial para passeios de peões. Aos domingos é costume verem-se milhares de ciclistas atravessá-la, aproveitando o dia de descanso.
No dia 4 de Julho, festa nacional dos EUA, a Ponte é um dos lugares de grandes festejos onde se concentram muitos milhares de pessoas.
Emily Roebling faleceu em 1903, e o seu nome ficou, para sempre, ligado à construção da mais emblemática ponte de Nova Iorque.

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[1] A ele se deve, entre outras, os projectos de construção de diversos aquedutos (1843-1850) e as pontes sobre as cataratas de Niagara (1855) e outra sobre o rio Ohio em Cincinnati (1857-1867). Pertenceu ao grupo que iria construir, a depois chamada, ponte de Brooklyn, a New York Bridge Company, mas faleceu pouco depois.


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