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Portal > Conteúdos > Biografias > Eduardo VIII: a abdicação do tio de Carlos Windsor

A versão inicial deste texto foi publicada na Revista Pública do Público, em Dezembro de 1996.
A presente versão, revista pela autora, foi inserida no Portal O Leme em 22-03-2005.


Eduardo VIII foi monarca apenas durante dez meses e vinte e cinco dias. Viu-se forçado a abdicar apenas porque o seu casamento com uma norte-americana duplamente divorciada não era aceitável numa conservadora família real inglesa.


Desde 1936 até aos nossos dias que as mais diversas teorias para essa abdicação nos são apresentadas. Parece mesmo que a senhora divorciada não seria o único argumento, mas o facto é que, ontem como hoje, na religião anglicana (o chefe é o próprio rei) uma mulher divorciada não pode ser rainha.
Carlos de Windsor, herdeiro do trono quando casou recentemente com Camila Parker-Bowles terá escrito uma nova página da história do seu país.
Recordamos hoje aqui o lado ignorado do seu tio-avô, o rei Eduardo VIII que foi durante vinte e cinco anos Príncipe de Gales: Eduardo VIII rei da Grã-Bretanha, da Irlanda do Norte e imperador da Índia tornou-se célebre, porque foi o primeiro, que na história da velha Albion, abdicou do trono.

NASCIMENTO


No dia 23 de Junho de 1894 às dez horas da manhã nascia, em White Lodge, Richmond Park no Surrey, o filho primogénito do futuro rei Jorge V e de sua mulher Maria de Teck (Maria Augusta Luísa Olga Paulina Claudina Inês). O apelido Teck pertencia a um principado alemão. O neófito tinha ainda vivos o avô Alberto-Eduardo (EduardoVII) e a bisavó, a tutelar rainha Victória. O princepezinho nasceu em plena semana das corridas de Ascot e o baile no Grande Parque de Windsor foi interrompido, por momentos, para se anunciar a chegada do novo membro da família real. Todos brindaram ao acontecimento e consideraram, naquela típica fleuma britânica, que fora um dia muito inconveniente para vir ao mundo!
O nome completo do príncipe foi Eduardo Alberto Cristiano Jorge André Patrício David, sendo os quatro últimos nomes de santos respectivamente da Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales. Teve no seu baptismo doze madrinhas e doze padrinhos. A rainha Victória ficou radiante com o nascimento do primeiro bisneto, visto o seu reinado entrar no quinquagésimo sétimo ano. Foram tirados retratos com as quatro gerações, pois tal facto aconteceu pela primeira vez naquela monarquia secular.
Eduardo passou a sua infância em Sandringham numa bela casa a que chamavam Iorque Cottage. Teve, como os irmãos, nurses e aprendeu a ler, escrever e contar e brincava com os irmãos que foram nascendo: Alberto (que viria a ser rei), Henrique, Maria, Jorge e João.
Na cerimónia fúnebre da rainha Vitória, em 1901, os dois príncipes, Eduardo e Alberto, tinham apenas seis e sete anos e foi com todo o aprumo que assistiram às exéquias da bisavó.
Em Janeiro de 1901 Eduardo VII, filho da rainha Victória, subiu ao trono, que ocupou apenas até 1910, data da sua morte. Entre avô e neto (Eduardo VII e Eduardo VIII) houve uma amizade grande, forte, especial, afável e cheia de humor e este avô influenciou muito a formação intelectual do neto, que gostava de ouvir as suas histórias, porque Eduardo VII, quando príncipe de Gales percorreu o mundo inteiro e era uma cidadão do mundo. Foi amigo do nosso rei D. Carlos casado com a rainha Dona Amélia e da rainha-mãe, Maria Pia de Sabóia.
Eduardo (Futuro Eduardo VIII) e o irmão que se lhe seguiu, Alberto (pai de Isabel II), foram educados por um antigo professor de Oxford, aprendendo as matérias que era costume na época: ciências, letras, história e geografia, completadas com exercícios físicos, em especial cricket, golfe, futebol e equitação(rigorosamente vestidos à escocesa). Para aprenderem línguas tinham professores de francês e alemão. Eduardo falou sempre melhor o alemão que o francês e seria mais tarde francamente germanófilo.
Em Fevereiro de 1907 Eduardo, que em família foi sempre chamado pelo seu último nome, David, entrou para o colégio naval de Osborne, tendo depois passado ao de Darmouth. É de referir que os príncipes Eduardo e Alberto foram a primeira geração de membros da família real que estudou em escolas públicas. Era um progresso.
Porém o pai, o rei Jorge V, decidiu que o filho mais velho devia abandonar a Marinha. Passou por Oxford, sem se evidenciar como aluno. Em 1912, com 18 anos, Eduardo passou uns meses em Paris, sem adivinhar que um dia seria a cidade onde iria viver. Ficou hospedado no castelo de Breteuil, mandado construir por Luís XIII. Desde os 17 anos que, como herdeiro do trono, Eduardo tinha o título de Príncipe de Gales. Era admirado pelas jovens que o achavam bonito, amável e sorridente. Magro, loiro, não muito alto e com uns olhos muito azuis, muitos lares ingleses tinham orgulhosamente o seu retrato emoldurado na parede. Eduardo desde cedo sentia alguma distância perante o pai. Jorge V foi um rei perfeitamente à antiga. O primogénito, desde sempre mostrou uma certa rebeldia pelas cerimónias e pompa, própria das cortes antigas. O luxo e os uniformes nas paradas deixavam-lhe uma sensação de mal-estar.

A GUERRA DE 1914-1918


Como qualquer jovem, daquele tempo, ir para a guerra era a melhor oportunidade de se cobrir de glória. A guerra tinha ainda uma aura de heroicidade e virilidade que um herdeiro de uma coroa não podia desprezar. Mas os dois jovens príncipes só pontualmente apareceram no teatro das operações. O duque de Iorque (futuro Jorge VI) tinha pouca saúde e era mais poupado às cerimónias oficiais.
O príncipe herdeiro desejou ardentemente participar com o seu país na 1ª Grande Guerra, mas quando se apresentou, em Outubro de 1914, em Whitehall fardado e pronto a partir, foi-lhe explicado que, como herdeiro do trono, não podia participar na guerra, ao que o jovem respondeu: «Que importa se morrer, tenho mais quatro irmãos!». O ministro da Defesa, Kitchener, explicou-lhe que morrer em combate era uma honra, mas o perigo era ser feito prisioneiro e isso sim, era a maior indignidade para um príncipe. No entanto, em França Eduardo ainda foi ajudante de campo de um general. Esteve ainda no Egipto e depois no Sudão, em Cartum, e teve de redigir um relatório sobre a situação no canal de Suez. No Egipto não se deixou seduzir pelas belezas da Antiguidade. Era um homem virado para o presente «aos faraós mumificados ele preferia lidar com os soldados vivos australianos» ( Emil Ludwig, La Vie Romanesque d’ Edouard, Duc de Windsor, Paris,1946, p.33).
No dia da assinatura do armistício uma multidão ovacionou o casal real em frente a Buckingham Palace, e o povo pedia a presença do príncipe herdeiro, visto saberem que ele tinha, de algum modo, participado na Guerra. «We want the prince !», clamava a multidão e Eduardo apareceu à varanda e agradeceu a ovação.

UM PRÍNCIPE INGLÊS COM SANGUE PRUSSIANO


Corre, como se sabe, nas veias da família real britânica sangue alemão (mais correctamente, prussiano), hoje temperado por sangue inglês. Sabemos que a Casa de Windsor era o nome da casa de Saxe-Coburgo-Ghota e que mudou o nome devido à posição da Alemanha na 1ª Grande Guerra. A dinastia de Hanôver manteve-se no trono inglês de 1714 a 1910. A própria rainha Victória sucedera no trono ao tio Guilherme IV, de sangue alemão. E se subirmos um pouco na ascendência da família real britânica ficamos a saber que vários reis (Jorge I, Jorge II, Jorge III foram eleitores de Hanôver, casados com princesas de diversos estados da Alemanha ainda alguns pertencentes à Prússia, com apelidos como Brandenburgo-Ansbach ou Mecklenburgo-Strelitz. Jorge IV casou com uma Brunswick. Os Wurttemberg eram ascendentes directos de Eduardo VIII e ele, ainda jovem, dava-se com os primos alemães. Mais do que uma vez esteve na Alemanha com o rei Guilherme II e Eduardo, desde cedo, notava as diferenças entre a vida oficial da corte alemã e inglesa, esta mais protocolar. Consta que sua tendência para a cultura e educação alemã terá, mais tarde, pesado fortemente no seu afastamento do trono. Esse assunto é uma longa história, que todos os dias é escrita, pois novos documentos se descobrem.

VIAGENS E AFECTOS


Como herdeiro, Eduardo, tinha de viver em Iorque-House, no centro de Londres e cumpria um rigoroso programa de viagens na qualidade de herdeiro. Em 1919 iniciou uma série de viagem pelo império britânico como embaixador do rei Jorge V. Esta viagem seria tudo menos uma viagem turística, como muitas vezes se pensa que são as viagens dos governantes. Esteve em todo o império, pronunciou e improvisou milhares de discursos, vestiu-se de gala e de modo menos convencional e terá apertado a mão a centenas de pessoas. Nesse tempo já havia máquinas fotográficas. e Eduardo comportava-se como um verdadeiro príncipe herdeiro. As notícias sobre ele eram diárias nos jornais da Grã-Bretanha, acompanhando a par e passo o menino bonito do país. Visitou o Canadá e quando chegou a Nova Iorque foi recebido em perfeito júbilo, pois, desde 1860 que não ia nenhum príncipe de Gales aquela antiga possessão inglesa. Eduardo comentaria mais tarde que detestava os papelinhos lançados das janelas com que os norte-americanos gostam de mimosear os convidados ilustres. Para eles ser um príncipe ou uma estrela de cinema era rigorosamente igual.
Nesta viagem Eduardo esteve também no Canadá tendo visitado as mais importantes cidades, e quis conhecer as tribos dos índios em Nibigon, e deixou-se fotografar tendo na cabeça um sumptuoso atributo de chefe. (FOTO).
De regresso da viagem, em Dezembro de 1919, Eduardo, perante as mais altas individualidades do seu país pronunciou em Whitehall um discurso de meia hora, sem precisar de papel, o que constrangeu os mais conservadores. Não fez um discurso de circunstância. Abordou a sua visão do que era para ele o império britânico da época. Falou dos problemas sociais, do que se deveria fazer para melhorar as condições de vida das pessoas. Não esqueceu as crianças que à nascença deviam ter já boas oportunidades de acesso à saúde e educação, enfim... Palavras ditadas pela emoção e pela justiça social e não de circunstância. No dia seguinte os jornais e comentadores políticos escreviam: «O império tem um novo orador».
O herdeiro do trono fazia uma vida social normal para a sua idade e teve, como é óbvio, as suas namoradas. A primeira de quem se falou foi Lady Coke, tinha ele 21 anos e ela era muito mais nova; seguiu-se Lady Rosemary Leveson-Gower filha do duque de Sutherland. Com esta falou-se mesmo em casamento, mas ela acabaria por escolher o visconde de Edmon.
Depois da 1ª Grande Guerra tinham proliferado por toda a Inglaterra os salões de baile. Toda a gente dançava. Eduardo também não escapava a este divertimento elegante. O salão mais bem frequentado, era o Embassy Club em Bond Street, frequentado por nobres, mas também por actores, escritores a bonitas senhoras requintadamente vestidas. Era tempo de diversão. Os loucos anos 20.
Antes de surgir no horizonte a americana Wallis Simpson, Eduardo teve uma longa relação amorosa com Freda Dudley Ward, que era casada (mais tarde separou-se). Foi um romance prolongado e Eduardo apaixonou-se a sério por ela . Dudley tinha um enorme ascendente sobre o príncipe.
Não pudemos deixar de fazer algumas analogias com o caso do actual herdeiro do trono da Grã-Bretanha, esta atracção por uma mulher casada!
Seguiu-se, em 1920, mais uma viagem oficial de meses: Austrália, Bermudas, Honolulu, Fidji e Nova Zelândia. Nesta viagem acompanhou-o o primo Lord Luís Mountbaten de quem era muito amigo. Eduardo escrevia pequenas notas de viagem e diria que o contacto com todos estes povos o enriqueceram a ponto de perceber que uma coisa é a vida palaciana coada pelas notícias dos políticos outra é a realidade palpável. Na Austrália, inaugurou uma nova cidade - Camberra - e deixou uma óptima impressão ao interessar-se pelas questões sociais.
Em 1921 viajou para ao Japão e Índia. No Japão foi convidado pelo próprio imperador para o palácio imperial Na Índia atravessava-se um período difícil para a Inglaterra, com Gandhi a lutar para se libertar do jugo inglês, luta que manteve sem esmorecer durante cinquenta longos anos. Gandhi mandava queimar os tecidos ingleses para que o seu país tivesse indústria própria. Por outro lado muitos marajás cobriam-se de ouro e prata, montados em elefantes luxuosamente ajaezados querendo mostrar ao príncipe europeu o que era o verdadeiro “luxo asiático”. Eduardo chegou a ficar impressionado com as jóias que os elefantes luziam sobre peças de pano bordado a ouro. Em Lahore desfilaram perante o Príncipe de Gales 3 000 hindus cavalgando sobre soberbos cavalos. Era a Índia mítica que escondia uma realidade dramática. Só, em Agosto de 1947 a Índia passou a país independente.
Nessa viagem, de oito meses, Eduardo percorreu quarenta e uma mil milhas de barco, comboios, automóveis e...elefantes!
De 1922 a 1931 a vida deste Príncipe de Gales manteve-se sempre dentro do cumprimento estrito dos seus deveres de herdeiro do trono. É importante seguirmos a par e passo os sucessos daquele que foi rei com o título de Eduardo VIII, pois há vários autores que dizem que ele não tinha «queda» para ser rei e que a abdicação foi uma consequência disso. Não é verdade. Com 25 anos o príncipe herdeiro pensava e desejava ser rei. Não ao estilo do pai, mas sim um rei moderno, com uma visão mais alargada e democrática do mundo. A sociedade era outra. A época vitoriana que o pai prolongava estava completamente ultrapassada. Eduardo sempre cumpriu as ordens do pai. Em 1925 partiu para outra viagem. esta pela costa ocidental da África - Gâmbia, Serra Leoa, Costa do Ouro, Nigéria, até à Cidade do Cabo, na África do Sul. Aqui foi recebido por 190.000 pessoas.
O rei Jorge V esteve muito doente em 1928 e o herdeiro do trono, nessa ocasião estava em África. O Príncipe herdeiro veio de avião ver o pai e este, olhando o filho, mesmo doente, os olhos brilharam e perguntou: «Mataste leões?». Como bom aristocrata inglês o rei achava que era importante o filho ter morto leões, o que não acontecera. Eduardo já não era do tempo das caçadas reais e tinha renunciado à caça grossa, desporto favorito de gerações de monarcas ingleses. Este pequeno episódio mostra bem como eram diferentes pai e filho. Diferentes no feitio e diferentes na mentalidade. Eduardo era um homem do séc. XX. Em vez de caçar filmou África e a sua fauna espantosa.
Os ingleses mais conservadores apercebiam-se, nestes pequenos pormenores, que este príncipe não era, para eles, o rei ideal. Daí que, mais tarde, quando se procuravam soluções para o rei poder casar com uma divorciada, tudo foram entraves e dificuldades. Ninguém quis tornear a lei. Não tenho grandes dúvidas que se tivesse havido vontade política por parte da Igreja Anglicana, do Parlamento e do Primeiro-Ministro Baldwin, Eduardo VIII podia ter casado com Wallis Simpson e poderia ter sido rei.

CASAMENTO DO IRMÃO, DUQUE DE IORQUE


O futuro rei Jorge VI nasceu, como o irmão, em Iorque Cottage a 14 de Dezembro de 1895. Teve uma educação semelhante à do herdeiro do trono. Representou o pai, em 1922, na coroação dos reis da Roménia. Da Marinha passou à RAF, sempre com problemas de saúde. Era tímido e melancólico. Estudou em prestigiados colégios e passou um ano em Cambridge, onde aprendeu história, economia política, sociologia e geografia. Foi um aluno aplicado. Diferente do irmão mais velho, visto gostar de passar horas a ler.
Ao contrário do que é usual, foi anunciado o casamento do segundo filho dos monarcas, antes do enlace do herdeiro. Alberto escolheu não uma princesa, mas uma escocesa nobre, que nascera num castelo da Escócia. O rei Jorge V e a rainha Maria deram o seu consentimento. Alberto conhecera a futura mulher, Isabel Bowes-Lyon, em Londres, quando esta tinha 20 anos. A noiva contava entre os antepassados Sir John Lyon que casara com Joana, filha do rei da Escócia, Roberto II. Mas os antepassados de Isabel pouco interessavam a Alberto, o que o terá atraído na jovem noiva era a sua segurança e personalidade, aliadas a um sorriso maravilhoso. Casaram em 23 de Abril de 1923, na Abadia de Westminster. Foi um casamento de amor que durou até à morte de Alberto, em 1951 (mais tarde rei com o título de Jorge VI). A rainha-mãe viveu mais de 100 anos.
Este casamento fez levantar mais uma vez uma onda de interrogações sobre o casamento do herdeiro do trono. Estava a entrar nos trinta anos. Era mais que tempo de escolher esposa.

A SRA. SIMPSON


Apenas algumas notas sobre esta norte-americana, oriunda do Baltimore, duas vezes divorciada que entraria na vida de Eduardo, príncipe de Gales, e que faria mudar o rumo da vida deste herdeiro do trono da Grã Bretanha.
Conheceram-se em 1931 «Aconteceu durante o Inverno que se seguiu ao meu regresso da viagem à América do Sul, em 1931», assim diz o duque de Windsor nas suas Memórias e também é essa a data apontada pela Srª Simpson no seu livro autobiográfico The Hert Has Its Reasons,( Nova Iorque, Crest Books, 1957). «Eu estava em Melton Mowbray, em Leicestershire, com o meu irmão Jorge, para onde fora à caça à raposa, durante um fim-de-semana. O casal Simpson tinha sido convidado e ficamos na mesma casa. Era um daqueles invernos ingleses, que fazem a sua reputação abominável e bem merecida: frio, humidade e nevoeiro. A Srª Simpson não montava a cavalo, nem se interessava por isso, nem por cães de caça, nem pela caça em geral». Em pólos opostos o que os terá aproximado? Mais tarde o casal Simpson foi convidado para uma recepção em Buckingham Palace. Quando começou o romance, não se sabe bem. Sabe-se sim que o casal Simpson passou a convidar Eduardo para o seu apartamento de Bryanston Square onde era recebido com extrema naturalidade e amizade. Nesse tempo Wallis parecia feliz com o seu segundo marido e nada faria prever o desenlace tanto daquele casamento como daquela amizade pelo herdeiro do trono.

«CASEI POR AMOR E ABDIQUEI POR DEVER»


Quando Jorge V morreu, em Janeiro de 1936, a rainha viúva, Maria, pegou na mão do filho mais velho, beijou-lha e se a frase habitual :«The King is dead. Long live the King». Nas exéquias do rei, pela primeira vez na história daquele país a guarda de honra, ao esquife real foi feita também pelos quatro filhos, por decisão de Eduardo VIII.
Eduardo VIII subiu trono com a firme determinação de reformar e democratizar a monarquia, porém o seu envolvimento amoroso com Wallis Simpson fariam desses escassos meses de reinado um tempo de crise permanente. A Igreja Anglicana e o Primeiro Ministro Baldwin, que influenciou o Parlamento, tudo fizeram para que o rei tivesse que tomar a difícil atitude de abdicar do trono.
Nos poucos actos públicos a que presidiu como rei introduziu inovações. Poderia ter sido um bom rei. A 3 de Novembro de 1936 cabia-lhe abrir a Sessão do Parlamento, e a tradição impunha que o rei se deslocasse de Buckingham Palace até Westminster numa carruagem de luxo puxada por oito cavalos, porém como chovia o rei decidiu, pura e simplesmente, fazer o trajecto num automóvel Daimler. No início de Dezembro vários bispos manifestaram-se por o rei tencionar secularizar a cerimónia da coroação. Os jornais ingleses não falavam muito dos problemas do casamento, mas no exterior, os jornais norte-americanos e franceses escreviam páginas e páginas sobre «O grande romance», «A história de amor do século».
Depois de esgotadas todas as hipóteses de Eduardo VIII casar com Wallis Simpson, depois do gabinete do Primeiro-Ministro informar o rei de que estava fora de questão o casamento morganático (o rei mantinha o título e atributos de rei, mas a esposa nunca poderia ser tratada por Sua Alteza Real) só havia uma solução - abdicar do trono. Eduardo avisou a mãe e os irmãos da sua decisão, enquanto a Srª Simpson partiu para o estrangeiro.
Na noite do dia 10 para 11 de Dezembro de 1936, quando Eduardo, filho primogénito de Jorge V e de Maria de Teck, com quarenta e dois anos de idade, se dirigiu ao país, através da BBC numa voz pausada e contidamente emocionada, anunciou a sua decisão de abdicar. Os motivos que invocou são conhecidos. Não aceitava ser rei sem a companhia daquela de quem gostava. Ela era Wallis Simpson.


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